A Metafuels, empresa suíça de tecnologia especializada no desenvolvimento de combustíveis sustentáveis para a aviação, inaugurou na Suíça uma unidade demonstrativa para testar, em condições próximas das industriais, a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) sintético a partir de metanol renovável. O projeto conta com o apoio da SWISS e constitui uma etapa intermédia antes da eventual produção da tecnologia à escala comercial.
Instalada no Paul Scherrer Institute (PSI), em Villigen, a unidade vai permitir à empresa testar o processo aerobrew, desenvolvido para converter metanol sustentável em combustível para aviação. A capacidade prevista é de até 50 litros por dia, destinando-se esta fase à validação do processo, recolha de dados operacionais e realização de testes ao combustível.
A tecnologia utiliza metanol produzido a partir de fontes renováveis e permite recorrer tanto a biometanol como a e-metanol. Segundo a Metafuels, o SAF resultante pode ser utilizado nas infraestruturas e frotas de aeronaves existentes, sem exigir uma alteração do atual modelo de propulsão. A empresa pretende agora utilizar a unidade demonstrativa como uma etapa para testar a tecnologia antes de avançar para volumes de produção comercial.
A iniciativa dá também continuidade à parceria estabelecida em maio entre a Metafuels e a SWISS, em coordenação com o grupo Lufthansa, para apoiar o desenvolvimento e aumento de escala de soluções de SAF sintético. Na altura, as empresas admitiram também a possibilidade de estabelecer, no futuro, compromissos de longo prazo para a aquisição destes combustíveis.
Para Jens Fehlinger, CEO da SWISS, aumentar a escala continua a ser um dos principais desafios. “A disponibilidade futura de combustíveis sustentáveis em escala suficiente só será possível se forem feitos hoje investimentos em tecnologias e parcerias”, afirmou aquando do anúncio do acordo com a Metafuels. O responsável ressalvou, contudo, que atingir os objetivos do setor “exigirá produção à escala industrial” e que os combustíveis sustentáveis terão de estar disponíveis “muito mais rapidamente, a preços acessíveis e em quantidades significativamente maiores”.
A própria companhia aérea reconhece que, atualmente, os SAF continuam disponíveis em volumes limitados e apresentam custos consideravelmente superiores aos do querosene convencional, um dos principais obstáculos à generalização da sua utilização na aviação.
Primeira unidade comercial prevista para Roterdão
Depois da fase demonstrativa na Suíça, a Metafuels pretende dar o salto para a produção comercial através do projeto Turbe, previsto para Roterdão. A futura unidade encontra-se ainda em fase de engenharia FEED (Front-End Engineering Design), anterior à decisão final de investimento.
A expansão deste tipo de combustível ocorre num contexto de aumento gradual das exigências europeias relativas à utilização de SAF. O regulamento ReFuelEU Aviation estabelece, desde 2025, uma quota mínima de 2% de SAF no combustível disponibilizado nos aeroportos abrangidos pela legislação europeia, percentagem que aumenta progressivamente nos próximos anos.
A partir de 2030, entram também em vigor metas específicas para os combustíveis sintéticos de aviação, precisamente a categoria em que se insere a tecnologia desenvolvida pela Metafuels.




