Nova Geração | Agroturismo, a enriquecer mentes e empreendedores locais

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“Há quem pague para que lhe apanhem frutos, e há quem pague para os apanhar. As experiências imersivas estão cada vez mais presentes na atualidade e os empreendimentos rurais não querem perder a onda”

Mariana Cavaco

Nascida e criada no coração da serra Algarvia, sempre vi a apanha da uva, azeitona, alfarroba e amêndoa como um dever dos locais, não porque seja uma tarefa agradável, é um trabalho exigente, mas para muitos é uma fonte de rendimento (para uma grande parte, a única). Daí o meu espanto quando comecei a ver que muitos pequenos negócios começavam a oferecer estas atividades como experiências imersivas únicas.

Estes tipos de atividades campestres enquadram-se naquilo que é definido como agroturismo ou volunturismo. Agroturismo sendo definido como “tipo de turismo realizado em casas particulares integradas em explorações agrícolas, que permite aos turistas o acompanhamento e conhecimento das atividades agrícolas e/ou a participação nas tarefas desenvolvidas” e Volunturismo como “combinação de trabalho voluntário e turismo durante um período de férias num determinado lugar, com o objetivo de interagir com a comunidade local e conhecer aspetos culturais do destino (história, arte, monumentos, etc.); turismo sustentável”.

Ambos são conceitos que, apesar de existentes há algum tempo, apenas nos últimos anos têm vindo a ganhar maior visibilidade, o segundo tendo crescido primeiramente em países em desenvolvimento e apenas mais recentemente ganho espaço no nosso país.

Aquilo que creio que tenha levado ao boom destes tipos de turismo no nosso país foi a incontornável pandemia, um verdadeiro ponto de viragem para muitas indústrias, sendo o turismo e a hotelaria duas das que mais sofreram alterações. Durante este período em que nos vimos confinados, muitos rumaram ao interior do país para se afastarem da confusão e das limitações impostas, enquanto os típicos empreendimentos turísticos de larga escala como os grandes hotéis em localizações centrais sofriam com a falta de clientela, maioritariamente estrangeira, e com adaptações de larga escala. Contudo, apesar das regulamentações impostas, os pequenos empreendimentos rurais viam maior afluência de turistas, muitos deles nacionais.

Como consequência desta maior procura, houve uma necessidade de adaptação e diversificação, os turistas procuravam distanciar-se das suas realidades citadinas o mais possível e nada como aproveitar esta vontade para a criação de maiores receitas e de uma experiência realmente imersiva.

A “Quinta da Tôr” é um exemplo, uma marca de vinhos nascida em 2017, e apesar de muitos outros antes dela terem feito este género de atividade foi a que me chamou à atenção. Nesta Quinta do interior algarvio, o visitante, que por enquanto não tem opção de pernoita, tem uma verdadeira experiência completa.

Os entusiastas vinícolas que procurem saber mais sobre o processo de uma forma relaxante podem fazê-lo, pois as atividades disponíveis vão desde uma tarde de piscina com um copo de Cabernet Sauvignon na mão, à apanha das uvas para que este seja feito. Esta junção parece-me particularmente interessante, quer da perspetiva do consumidor que pode aprender mais sobre a sua área de interesse, quer para os próprios donos da quinta que acabam por ter mão-de-obra “paga” pelo consumidor, é a chamada situação de win-win.

Com o crescimento do turismo, preocupações relacionadas com a sua sustentabilidade têm vindo a crescer, o impacto que o turismo em massa tem nas pequenas comunidades é cada vez mais notável, no entanto, o agroturismo e o volunturismo vêm trazer uma luz de esperança. Iniciativas como estas apontam que estamos a caminhar para um turismo inclusivo que favorece as comunidades locais, enriquecendo pequenos empreendedores e a mente daqueles dispostos a aprender sobre os métodos de trabalho rurais.

Mariana Cavaco é estudante do mestrado em Gestão com foco em Hospitalidade e Experiência do Consumidor, na Nova SBE Westmont Institute of Tourism & Hospitality.

Nova Geração é uma nova rubrica do TNews, na qual damos voz à opinião dos jovens estudantes de Turismo.

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