“Quando as pessoas estão felizes, tornam-se os melhores embaixadores da empresa.” Foi com esta convicção que Lena Weber, Head of Talent Acquisition & Employee Experience da TUI, abriu a sua apresentação na conferência Talent Connect 2025, sublinhando a importância de uma cultura organizacional centrada nas pessoas.
Lena Weber começou por partilhar a sua própria experiência de crescimento profissional dentro da TUI, onde trabalha há oito anos, atravessando várias transformações — incluindo o período da pandemia. “Continuo apaixonada por esta indústria e acredito que podemos fazer o mercado de talento perceber o valor que o turismo tem”, afirmou.
A responsável destacou que o grupo TUI conta atualmente com 67 mil colaboradores em todo o mundo, o que representa tanto uma oportunidade como um desafio. “Recrutamos em dezenas de mercados, com culturas, gerações e expectativas diferentes. Isso torna o trabalho excitante, mas também complexo”, explicou.
Um dos grandes princípios da estratégia de talento da TUI é a flexibilidade. Depois da pandemia, a empresa adotou um modelo verdadeiramente internacional e remoto. “Não nos importa onde os nossos colaboradores vivem, desde que o trabalho o permita. Queremos dar liberdade para que cada pessoa possa decidir o que é melhor para si e para a sua família”, disse Lena, acrescentando que essa política permitiu reter muitos profissionais que, de outro modo, teriam saído. A TUI também oferece aos colaboradores a possibilidade de trabalhar até 30 dias a partir de qualquer país do mundo (exceto China), um dos benefícios mais valorizados — e com custo zero para a empresa.
Outra prioridade é garantir que a experiência dos colaboradores e a marca empregadora caminham lado a lado. “Muitas vezes fala-se em campanhas brilhantes de employer branding, mas na verdade, quanto mais felizes forem os colaboradores, menos precisamos dessas campanhas. Eles próprios tornam-se os melhores promotores da marca”, afirmou Lena.
A TUI mede continuamente o envolvimento e bem-estar interno através de inquéritos e estudos de mercado, cruzando a perceção dos colaboradores com as expectativas externas. “O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é hoje um dos fatores mais valorizados — e é aí que queremos ser fortes”, disse.
Lena Weber recordou que, antes de ingressar na TUI, trabalhava numa empresa mais pequena e tinha uma visão idealizada das grandes corporações. “Acreditava que as grandes empresas tinham orçamentos enormes e faziam coisas mágicas. Hoje percebo que as grandes empresas também não fazem milagres. No turismo, ninguém tem grandes orçamentos — mas há muito que podemos fazer, mesmo com recursos limitados”, sublinhou.
O segredo, garante, está em ouvir os colaboradores e envolvê-los na comunicação da marca empregadora. A TUI convidou os seus profissionais a partilharem vídeos sobre o seu dia a dia, que deram origem a um vídeo institucional criado sem qualquer custo de produção — apenas com imagens captadas por telemóveis. “Não é perfeito, mas é autêntico, e isso tem muito mais impacto”, disse.
A keynote também destacou a importância da inclusão e diversidade. Lena explicou que a TUI procura criar um ambiente onde todos são bem-vindos, independentemente de religião, género ou orientação sexual. “O mais alto resultado nos nossos inquéritos é sempre a resposta: posso vir trabalhar como sou — e isso enche-nos de orgulho”, afirmou.
Outro ponto estratégico é o programa de embaixadores internos, onde os colaboradores recebem formação e incentivos para representar a marca em eventos, universidades ou redes sociais. “Damos liberdade para escolher a forma de comunicação: pode ser um vídeo, um post no LinkedIn, um TikTok. O objetivo é tornar a comunicação autêntica e orgânica”, explicou.
A TUI também investe na recolha e análise de dados para alinhar sua estratégia de employer branding com as expectativas internas e externas. “Antes de criar qualquer conteúdo, perguntamos aos nossos colaboradores e analisamos o mercado. Isso garante que estamos a trabalhar no que realmente importa para eles e para os candidatos”, explicou Lena.
A TUI recebe cerca de 250 mil candidaturas por ano, mas apenas 6 mil contratações são efetivadas. “O nosso objetivo não é ter muitos candidatos, mas os certos. E a flexibilidade, inclusão e felicidade interna são a chave para isso”, concluiu Lena, lembrando que os colaboradores felizes tornam-se naturalmente embaixadores da empresa, atraindo talento de forma orgânica.



