Quarta-feira, Abril 15, 2026
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OASIStravel celebra 40 anos e defende: “O futuro do turismo organizado é a especialização”

Quatro décadas depois da sua fundação, a OASIStravel olha para o futuro com a convicção de que o turismo organizado evoluirá para maior especialização e atenção ao detalhe. Em entrevista ao TNews, Armando Ferraz e Cristina Carvalho fazem o balanço de 40 anos de atividade da empresa especialista em viagens em grupo, culturais e temáticas, e viagens de incentivo desde 1986. O CEO e a diretora comercial explicam como a aposta nas pessoas, na programação própria e na qualidade de serviço tem sustentado o crescimento do projeto.

Quarenta anos depois da sua criação, a OASIStravel olha para o seu percurso com a consciência de que a história da empresa foi marcada por desafios desde o início. “Ao iniciar um projecto empresarial identificamos sempre as lógicas e os parâmetros que fundamentam e justificam a sua criação, mas existem sempre variáveis, factos e desenvolvimentos que nunca se conseguem antecipar”, afirmam Armando Ferraz e Cristina Carvalho.

Foi precisamente isso que aconteceu nos primeiros anos de atividade. Entre 1990 e 1992, ainda na fase mais crítica da vida da empresa, a OASIStravel teve de enfrentar simultaneamente o impacto da Primeira Guerra do Golfo e uma profunda crise económica nos países escandinavos, de onde na altura chegavam cerca de 90% dos seus clientes.

Décadas depois, os responsáveis consideram que essas dificuldades acabaram por moldar o ADN da empresa. “Temos hoje de concluir que foi exatamente dessas enormes dificuldades que nasceram as bases e o ADN que ainda hoje nos acompanham – diversificar, inovar, partilhar e focar nos objectivos.”

Ao longo destas quatro décadas, a maior conquista da empresa foi conseguir construir uma cultura organizacional centrada nas pessoas. “A maior conquista da OASIStravel foi ter conseguido implementar com sucesso uma eficaz política de gestão e interação das pessoas com as pessoas. Prestadores de serviços realizados e empenhados terão sempre clientes atentos a essa diferenciação.”

“A maior conquista da OASIStravel foi ter conseguido implementar com sucesso uma eficaz política de gestão e interação das pessoas com as pessoas”

Atualmente, a empresa conta com 28 colaboradores, embora na década de 1990 tenha chegado a ultrapassar os 50. A estabilidade da equipa é também um dos fatores que explicam a continuidade do projeto. “A permanência média na empresa é de 15 anos e por isso a equipa consegue manter um ADN fiável e fiel aos seus princípios, que ano após ano vem sendo reconhecido pelos seus habituais clientes.”

Fundada em 1986 com apenas três pessoas e totalmente vocacionada para o mercado de incoming escandinavo, a empresa evoluiu rapidamente para outras áreas. “Durante alguns anos dispersou a sua atividade entre lazer, corporate, MICE e grupos e chegou a ter balcões em Lisboa, Setúbal, Palmela, Lagos, Monte Gordo e Funchal.”

Nos últimos vinte anos, porém, a estratégia passou por uma maior concentração da atividade e pela aposta na programação própria e em grupos culturais e temáticos. “Uma das decisões estratégicas mais determinantes foi a redução dos balcões de vendas e consequente concentração da atividade. Esta concentração permitiu um crescimento quantitativo e qualitativo da programação própria, que é hoje a imagem de marca da OASIStravel.”

Sobreviver à crises, pandemia e guerra dos preços

Entre os momentos mais difíceis da história da empresa, além das crises do início da década de 1990, destacam-se inevitavelmente os anos da pandemia. “Além dos anos difíceis entre 1990 e 1992, é também incontornável definir os anos Covid (2020-2021) como os mais difíceis dos últimos 40 anos.”

“Uma das decisões estratégicas mais determinantes foi a redução dos balcões de vendas e consequente concentração da atividade. Esta concentração permitiu um crescimento quantitativo e qualitativo da programação própria, que é hoje a imagem de marca da OASIStravel”

Numa empresa onde a proximidade entre equipa e direção sempre foi uma característica central, o maior desafio nesse período foi garantir a estabilidade interna. “Especialmente numa empresa da nossa dimensão, onde existe uma grande proximidade entre toda a equipa e onde os recursos humanos são vistos como o factor mais importante de toda a cadeia, os anos de 2020 e 2021 foram realmente muito desafiantes para conseguir atingir o nosso objectivo: manter toda a equipa.”

Para Armando Ferraz e Cristina Carvalho, aliás, a longevidade da empresa explica-se precisamente pela força da equipa. “A consolidação dos resultados obtidos e da sua contínua partilha com todos os colaboradores aumenta-lhes a determinação e entrega rumo aos objectivos anualmente traçados.”

Num setor cada vez mais competitivo e pressionado por margens reduzidas, a diferenciação continua a ser um desafio permanente. “A guerra de preços do nosso setor é atualmente um dos maiores desafios, se não mesmo o maior”, admitem. Ainda assim, a estratégia da empresa mantém-se clara: “Naturalmente que não é viável manter elevados padrões de qualidade de serviços e simultaneamente competir em preços. Perante essa impossibilidade, mantemos os princípios que têm atraído os nossos habituais passageiros: serviços de elevada qualidade, dedicação aos detalhes, mas com preços justos.”

“A guerra de preços do nosso setor é atualmente um dos maiores desafios, se não mesmo o maior”

A crescente presença de plataformas digitais e grandes operadores internacionais também alterou profundamente o mercado, mas os responsáveis acreditam que existe espaço para empresas que conheçam bem o seu público. “O mercado português tem características muito específicas e, mesmo existindo uma intensa oferta das plataformas digitais e um acesso facilitado a operadores internacionais, existirá sempre um elevado número de passageiros que prefere serviços especialmente delineados para si.”

Ao mesmo tempo, a instabilidade geopolítica tornou o planeamento da atividade mais complexo. “Atualmente existem desafios adicionais que tornam o planeamento mais complexo, mas por isso mesmo os planos têm de ser mais curtos e cautelosos, sobretudo no que diz respeito aos destinos programados e às responsabilidades envolvidas.”

Sustentabilidade

A sustentabilidade é outra dimensão que a empresa tem vindo a integrar de forma crescente na sua estratégia, tanto nas práticas internas como na seleção de parceiros nos destinos. Entre os exemplos apontados está a substituição de determinadas atividades por alternativas mais responsáveis, como percursos em jeep em vez de passeios de elefante ou visitas a centros onde existe real preocupação com o bem-estar animal.

Esse compromisso valeu à empresa certificações como “Travelife Partner – Committed to Sustainability” e a distinção ESG “Empresas Turismo 360” do Turismo de Portugal. A OASIStravel conta ainda com lojas certificadas “Checked by Deco” e tem vindo a obter consecutivamente o estatuto de PME Líder atribuído pelo IAPMEI.

Entre os desafios estruturais do setor, Armando Ferraz e Cristina Carvalho apontam vários fatores — desde a pressão sobre margens à instabilidade internacional —, mas destacam um em particular: a escassez de recursos humanos. “Continuamos a acreditar que os recursos humanos são o elemento mais importante de toda a cadeia e que é esse fator que vai diferenciando os projectos entre si.”

“[Daqui a 10 anos ] Imaginamos a OASIStravel rejuvenescida, continuando muito dedicada à sua programação própria dispersa pelos cinco continentes, dos destinos mais famosos e emblemáticos aos locais mais recônditos e desconhecidos, cada vez mais especializada e com grupos de média dimensão.”

Ainda assim, os responsáveis mostram-se confiantes na evolução do turismo organizado e no papel que a empresa poderá continuar a desempenhar nesse contexto. “Imaginamos a OASIStravel rejuvenescida, continuando muito dedicada à sua programação própria dispersa pelos cinco continentes, dos destinos mais famosos e emblemáticos aos locais mais recônditos e desconhecidos, cada vez mais especializada e com grupos de média dimensão.”

O objetivo, sublinham, é manter a mesma dinâmica que marcou as últimas décadas. “Acreditamos que o futuro do turismo organizado é a maior especialização, o maior detalhe e boa qualidade de serviço, e esta especialização e qualidade é pouco compatível com grandes aumentos de dimensão e estruturas.”

Conselho a quem quer empreender hoje no turismo? “Ser continuamente autêntico em função do nicho de mercado que decidir empreender.”

Questionados sobre se, começando hoje do zero, voltariam a apostar no mesmo modelo de negócio, a resposta é imediata. “Absolutamente, porque acreditamos que ele estará ainda válido por muitíssimos anos, pois sem pessoas nunca haverá a Indústria do Sorriso que é o Turismo.”

Para quem pretende iniciar um projeto no setor, deixam também um conselho simples: “Ser continuamente autêntico em função do nicho de mercado que decidir empreender.”

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