Portugal é um dos países do sul da Europa menos dependentes da procura turística no verão, segundo um novo estudo da Data Appeal Mabrian, apresentado na Seasonality Summit 2026, em Rimini, Itália. De acordo com o relatório, Portugal regista uma taxa de dependência do verão de 54,5%, abaixo da média do sul do Mediterrâneo, fixada nos 59,1%.
O estudo analisou tendências de procura turística em época baixa em cinco mercados do sul da Europa – Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Croácia – avaliando fatores como padrões de sazonalidade, perfis de viajantes, conectividade aérea, preços e motivações de procura.
Entre os países analisados, Espanha apresenta a menor dependência da época alta, com 52,8%, seguindo-se Portugal (54,5%) e Itália (58,7%). Já Grécia (72,9%) e Croácia (79,1%) continuam mais dependentes da procura de verão, embora o estudo identifique sinais de crescimento da atividade turística nas épocas intermédias, sobretudo no mercado grego.
Segundo Emilio Inés, diretor global de turismo da Data Appeal Company, os destinos europeus têm oportunidade de desenvolver estratégias mais equilibradas ao longo do ano. O responsável defendeu que é necessário “expandir e diversificar a oferta para além dos períodos tradicionais de pico”, promovendo um turismo mais sustentável e distribuído ao longo do calendário.
O relatório conclui ainda que os eventos desempenham um papel relevante na dinamização da procura fora da época alta. “Entre 53% e 72% dos eventos já acontecem fora dos meses de pico, enquanto entre 58% e 73% da participação total se concentra na época baixa, transformando os eventos num motor da procura nesses períodos”, afirmou Emilio Inés durante o summit.
A conectividade aérea é outro dos fatores destacados no estudo. Entre outubro e dezembro de 2026, os cinco destinos analisados deverão contar com 96,64 milhões de lugares aéreos, mais 4,6% face ao mesmo período de 2025. Portugal é a única exceção, com uma quebra prevista de 2,5% na capacidade aérea durante o quarto trimestre de 2026.
Ainda assim, o relatório sublinha que Portugal e Croácia continuam a apresentar uma forte relevância da conectividade aérea em época baixa, representando, em média, 58,5% da capacidade total anual.
A perceção climática surge igualmente como uma vantagem competitiva crescente para viagens fora da época alta, sobretudo junto de visitantes repetentes de curta e média distância, jovens adultos, nómadas digitais e seniores. O estudo identifica “janelas de oportunidade climática” em Portugal durante a primavera, quando as condições meteorológicas superam as expectativas dos viajantes.
A análise mostra ainda que os preços praticados na hotelaria durante o inverno de 2026 deverão permanecer significativamente abaixo dos valores do verão de 2025, com reduções médias de 24,6% nos hotéis de três estrelas, 22,4% nos de quatro estrelas e 33% nos hotéis de cinco estrelas.
Segundo a Data Appeal Mabrian, experiências ligadas à cultura, gastronomia, natureza e atividades outdoor apresentam também maior capacidade de adaptação ao longo do ano, “oferecendo um forte potencial para redistribuir ainda mais a procura para além dos períodos de pico”.




