O CEO da TAP considera que os resultados da companhia se devem ao trabalho de equipa e prevê um crescimento de 6 a 7% no próximo ano. Luís Rodrigues refuta a ideia de ser um resultado atribuído a uma pessoa só: “O tempo dos heróis, dos cavaleiros solitários da gestão não existe, é trabalho de equipa, e de muita gente ao longo de muito tempo, que temos o cuidado de não estragar”.
O responsável participou este sábado no congresso da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), como orador numa conversa moderada pelo presidente da associação, Pedro Costa Ferreira,
Questionado sobre a que se devem os “resultados fantásticos” da companhia, Luís Rodrigues apresentou duas abordagens.
“Devem-se aos clientes, muitos aqui sentados, se não fossem os clientes diretos e as agências a comprarem, não havia resultados para ninguém, devem-se aos trabalhadores da TAP, deve-se ao acionista Estado que suportou a empresa, e aos contribuintes todos que aceitaram contribuir para que a TAP continuasse a existir”, disse em primeiro lugar.
A outra abordagem, sublinha, “é a personalização dos resultados”, ou seja, “um quarto deste resultado deve-se à estratégia até 2014, aposta no Brasil; um quarto deve-se à estratégia 2014/2018, com a aposta na América do Norte; um quarto ao período da Christine, com o corte de custos e aguentou o covid; e um quarto deve-se aquilo que fizemos, pelo ajuste da estratégia, por aquilo que conseguimos fazer, alavancado em cima disto tudo”.
Quanto ao crescimento para o próximo ano, Luís Rodrigues avançou que estão a ser fechados agora os orçamentos para o próximo ano, prevendo-se um crescimento de 6 a 7%
“Estamos mal habituados, estamos habituados a crescimentos pós-covid de 20 a 30% e isso é impensável em qualquer indústria a prazo. Estruturalmente, se crescermos 3, 4, 5% é bom, mais do que isso, neste momento, não é desejável, porque precisamos de consolidar uma estrutura que torne a empresa rentável e sustentável pelo período mais longo possível. Vão existir ‘outros covids’, se tivermos inebriados por crescimentos significativos e, de repente, levarmos com uma destas, a coisa fica mais difícil de gerir”.
Por sua vez, o CEO lembrou que a frota da companhia não pode crescer até ao final de 2025, uma imposição que advém do plano de reestruturação. Por conseguinte, o crescimento será feito através da troca de aeronaves menores por maiores e o aumento de preços.
“As agências de viagens são responsáveis por metade do nosso negócio”
“As agências de viagens são responsáveis por metade do negócio da TAP”, afirmou ainda o CEO durante a conversa com Pedro Costa Ferreira.
O CEO da TAP recordou um momento em 2009, quando participou num congresso da APAVT, em que se dizia que as agências iam morrer. “Não vão morrer e é saudável que não aconteça”. Para o Luís Rodrigues, “independentemente do que aconteça, as agências vão continuar a ter um peso fundamental, é o paradoxo da escolha dos supermercados, quando só havia dois shampôs, era fácil escolher. A maior parte de nós não ter tempo para estudar prompts, IA, etc, e vai ter de recorrer a quem sabe. Portanto, o papel vai ser fundamental e vamos estar cá para dar todo o apoio”.



