Sábado, Novembro 26, 2022
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Retoma ajuda Cabo Verde na recuperação de mais de 100 M€ de reservas internacionais

O ‘stock’ das reservas internacionais cabo-verdianas aumentou em 103 milhões de euros até junho, em termos homólogos, impulsionado pela retoma turística e cobrindo mais de sete meses das necessidades de importações, segundo dados oficiais.

Tendo em conta os dados de um recente relatório do Banco de Cabo Verde (BCV) com indicadores económicos e financeiros, compilados hoje pela Lusa, as reservas internacionais líquidas do país atingiram em 30 de junho de 2022 os 620,6 milhões de euros, “passando a garantir 7,1 meses de importações de bens e serviços estimadas para o ano de 2022”.

“O stock das reservas oficiais no período homólogo permitia garantir 6,6 meses das importações de bens e serviços”, lê-se ainda.

Com a melhoria das contas externas, esta recuperação justifica-se, nomeadamente, devido à retoma da procura turística – a principal forma de arrecadação de divisas pelo arquipélago – desde o último trimestre de 2021.

“Dados disponíveis apontam, no segundo trimestre, para uma contínua melhoria das contas externas face ao trimestre homólogo”, acrescenta o relatório.

Apesar da “esperada deterioração da balança de bens e redução dos influxos líquidos de financiamento para a economia”, devido à “queda dos desembolsos líquidos da dívida pública, com o esperado aumento das amortizações de capital da dívida”, o BCV também constata que “a evolução das contas externas em termos homólogos, no segundo trimestre de 2022, deverá beneficiar novamente de um excedente na balança de serviços, em função do aumento que se espera nas exportações de serviços, sobretudo, nas receitas provenientes de viagens de turismo e de transportes aéreos no contexto da contínua retoma do turismo no país”.

Na previsão do banco central feita em abril, o BCV confessa uma redução de 94 milhões de euros até final do ano nas reservas internacionais do arquipélago só diante do agravamento do défice da balança comercial causado pelo aumento dos preços, provocado pela guerra na Ucrânia.

De acordo com dados do relatório de política monetária do BCV, apesar dessa redução, o ‘stock’ das reservas internacionais líquidas de Cabo Verde deverá “garantir 5,8 meses das importações de bens e serviços projetadas para 2022”.

Cabo Verde terminou 2021 com 65.630 milhões de escudos (595,6 milhões de euros) de reservas internacionais líquidas, um aumento de 2,7% face a 2020, que então representou uma queda de 12,4% tendo em conta os dados do ano de 2019, em que esse ‘stock’ foi de 72.912 milhões de escudos (661,7 milhões de euros).

O arquipélago não tem capacidade de refinação e importa todos os combustíveis de que precisa, incluindo para a produção de eletricidade (para produzir quase 80% da eletricidade), além de 80% de todos os alimentos que consome. As compras estão fortemente condicionadas nos últimos meses devido às consequências da guerra na Ucrânia, segundo dados do Governo.

Cabo Verde encara uma profunda crise económica e financeira, resultante da grande quebra na procura turística – setor que garante 25% do PIB do arquipélago – desde março de 2020, causada pelas restrições impostas para controlar a pandemia de covid-19.

O país apontou em 2020 uma recessão económica histórica, correspondente a 14,8% do PIB, sucedendo-se um crescimento económico de 7% em 2021, conduzido pela retoma da procura turística no quarto trimestre.

Ainda assim, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, o Governo cabo-verdiano reviu de 6% para 4% a perspetiva de crescimento económico em 2022.

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