O Presidente da República, António José Seguro, defendeu esta segunda-feira que “o turismo português precisa de uma nova ambição”, assente numa “estratégia de médio e longo prazo” que combine crescimento sustentável, competitividade turística, melhores salários e coesão territorial. O apelo foi deixado na sessão de encerramento da VIII Cimeira do Turismo Português, em Lisboa, organizada pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP).
Reconhecendo o turismo como “uma história de sucesso da economia portuguesa nas últimas décadas”, António José Seguro considerou que os resultados alcançados tornam “mais urgente” uma “reflexão sobre o caminho a seguir”.
Para o Presidente da República, o crescimento da atividade turística trouxe benefícios para o país e para as empresas, mas também “novas responsabilidades”, nomeadamente perante a pressão exercida sobre a habitação, a mobilidade, o ambiente e os serviços públicos. “Não basta crescer. É preciso garantir que o crescimento beneficia o país e é compatível com a qualidade de vida dos portugueses. É este o desafio que temos pela frente”, disse.
Neste contexto, Seguro questionou qual deverá ser o modelo de competitividade turística de Portugal para os próximos 10 a 20 anos, considerando que “não se trata de repetir o modelo que nos trouxe até aqui”, mas de “identificar o que deve mudar, antecipar o desafio e preparar as condições para uma nova etapa de desenvolvimento”.
Entre os fatores que considera determinantes para essa transformação estão “a qualidade da experiência turística, a inovação, a diferenciação face aos concorrentes e uma melhor distribuição territorial e temporal da procura”.
Portugal, defendeu, “tem de ser capaz de atrair visitantes ao longo de todo o ano e de continuar a valorizar destinos que vão muito além dos grandes centros urbanos e dos locais tradicionalmente consolidados”. Nesse sentido, o país tem de ser capaz de “transformar o potencial do interior em oportunidades reais de investimento, emprego e desenvolvimento”, num contexto internacional marcado por guerras, tensões geopolíticas, alterações no comércio mundial, flutuações nos preços da energia, inflação e taxas de juro, acrescentou.
“O meu apelo é claro: o turismo português precisa de uma nova ambição”, afirmou António José Seguro, defendendo uma estratégia que aproxime as políticas públicas da iniciativa privada e que esteja assente na “sustentabilidade económica, social e ambiental”.
Esta visão, sublinhou, implica também “decisões estruturais” para o país, apontando o novo aeroporto de Lisboa como “uma questão decisiva para a capacidade futura do país” e considerando igualmente “relevante” a “evolução da TAP”.
“São matérias que exigem visão, planeamento e capacidade de execução. Não podem ser tratadas apenas em função das necessidades imediatas ou de encaixes financeiros”, frisou.
Seguro defendeu ainda que o crescimento turístico deve ser acompanhado pela avaliação dos seus impactos económicos, sociais e territoriais, nomeadamente na habitação, na utilização dos recursos naturais e na relação entre residentes e visitantes.
Para António José Seguro, a competitividade turística não deve ser medida apenas pelo número de visitantes, pelas receitas ou pela capacidade instalada. “Mede-se também pelo valor que deixa no território e pela forma como contribui para melhorar a vida das pessoas”, afirmou, defendendo que “a coesão territorial tem de fazer parte da estratégia do turismo português”.
A valorização dos trabalhadores foi outra das dimensões destacadas pelo Presidente da República, que considerou que “as pessoas” devem estar no centro da estratégia do setor. “O turismo é, acima de tudo, uma atividade de serviços. É uma atividade em que as pessoas cuidam das pessoas”, afirmou, defendendo maior investimento na formação, progressão profissional e melhoria das condições de trabalho, assim como na tecnologia, especialização, inovação e produtividade.
“O aumento da produtividade tem de se traduzir também na valorização de salários”, sustentou, considerando que a melhoria das remunerações deve ser uma “ambição” do setor, a par da rentabilidade dos investimentos e da capacidade de atração de capital.
“Não há competitividade duradoura sem empresas sustentáveis, mas também não há competitividade duradoura sem profissionais valorizados, qualificados e justamente remunerados”, afirmou.
Na conclusão, António José Seguro considerou que Portugal já “não precisa de provar que o turismo pode crescer”, mas enfrenta agora um desafio diferente: garantir que esse crescimento acontece “de forma competitiva, equilibrada e sustentável”.




