Singapura reforçou os seus controlos fronteiriços ao introduzir, desde 30 de janeiro de 2026, um novo sistema que permite negar o embarque de passageiros ainda no país de origem, antes da partida do voo.
Até agora, os viajantes que não cumpriam os requisitos de entrada eram, regra geral, intercetados apenas à chegada, nos balcões de imigração. Com a nova medida, a Autoridade de Imigração e Postos de Controlo de Singapura (ICA) passa a realizar avaliações de risco pré-embarque, com base em informação antecipada dos passageiros.
De acordo com o portal de notícias VisasNews, o sistema utiliza dados como os manifestos de voo, o SG Arrival Card (SGAC) e outras fontes de informação para identificar, antes da viagem, passageiros considerados inadmissíveis, indesejáveis ou que não cumpram as condições de entrada. Nestes casos, a ICA emite uma No-Boarding Directive (NBD), enviada diretamente à companhia aérea, que fica legalmente obrigada a recusar o embarque em voos com destino a Singapura.
A medida aplica-se, para já, às companhias aéreas que operam voos para os aeroportos de Changi e Seletar.
As autoridades de Singapura esclarecem que uma “Diretiva de Não Embarque” pode ser emitida em várias situações, incluindo ausência de visto válido, documento de viagem com menos de seis meses de validade, SG Arrival Card não submetido ou preenchido incorretamente, ou ainda registos de imigração ou de segurança que classifiquem o viajante como “inadmissível” ou “indesejável”.
Em determinados casos, a ICA pode também solicitar às companhias aéreas que realizem verificações adicionais no momento do check-in, antes de autorizar o embarque de passageiros ou membros da tripulação.
Segundo a ICA, o objetivo do sistema NBD é interromper potenciais ameaças no ponto de partida, evitando que estas cheguem ao território singapurense. A abordagem reflete a evolução dos controlos fronteiriços, cada vez mais dependentes da análise de dados, num contexto de tráfego aéreo elevado.
De acordo com o Conselho de Turismo de Singapura (STB), o destino recebeu 16,9 milhões de visitantes internacionais nos primeiros três trimestres de 2025, um crescimento de 2,3% face a 2024. A China continental, Indonésia, Malásia, Austrália e Índia foram os cinco principais mercados emissores.
Para 2026, o STB prevê entre 17 e 18 milhões de visitantes internacionais, apesar das incertezas económicas e geopolíticas, reforçando a importância de uma gestão eficiente e proativa das fronteiras.



