Terça-feira, Abril 14, 2026
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Sistema de controlo de fronteiras agrava tempos de espera nos aeroportos europeus na Páscoa

Aeroportos e companhias aéreas europeias estão a alertar para o agravamento dos tempos de espera nos controlos de fronteira durante o período da Páscoa, devido à implementação do Sistema de Entrada/Saída (EES) no espaço Schengen. Segundo dados recentes, os tempos de espera podem atingir até duas horas nas horas de maior tráfego.

“Os passageiros que entram no espaço Schengen deverão enfrentar tempos de espera ainda mais longos no controlo de fronteiras durante a Páscoa, devido aos desafios operacionais persistentes associados à implementação do EES”, afirmaram, em comunicado, o diretor-geral da ACI Europe, Olivier Jankovec, e a diretora-geral da Airlines for Europe (A4E), Ourania Georgoutsakou.

De acordo com as duas organizações, que representam aeroportos e companhias aéreas na Europa, a situação tem vindo a deteriorar-se desde 10 de março, data em que passou a ser obrigatória a recolha de dados de 50% dos cidadãos de países terceiros à entrada no espaço Schengen. Os dados recolhidos junto de aeroportos europeus indicam que os tempos de espera têm aumentado de forma consistente, com alguns aeroportos a reportarem filas ainda superiores a duas horas.

Apesar de as autoridades de controlo de fronteiras continuarem a recorrer à suspensão parcial ou total dos processos do EES em períodos de maior afluência, uma medida considerada “essencial para mitigar atrasos”, o setor alerta que este mecanismo deixará de estar disponível a partir de 9 de abril, com o fim do período de transição.

Antes disso, a 31 de março, entra em vigor uma nova fase que exige o registo de 100% dos cidadãos de países terceiros, aumentando a pressão sobre os sistemas de controlo. Segundo a ACI Europe e a A4E, esta combinação de exigências operacionais e menor flexibilidade poderá agravar significativamente os constrangimentos já existentes.

“Reiteramos o nosso apelo à Comissão Europeia e aos Estados-Membros para que prolonguem a possibilidade de suspender total ou parcialmente o EES sempre que necessário, durante toda a época de verão de 2026”, defenderam Jankovec e Georgoutsakou. “Esta flexibilidade tem sido vital para evitar perturbações operacionais catastróficas durante a implementação progressiva do sistema”, acrescentaram, sublinhando que, caso os problemas técnicos e operacionais persistam, a medida deverá também ser considerada para períodos de elevada procura futuros, como o inverno 2026/2027.

Entre os principais desafios identificados pelo setor estão a “escassez estrutural de recursos humanos nos controlos de fronteira, falhas técnicas e de manutenção nos quiosques de autoatendimento, utilização limitada de portas automáticas de controlo (ABC gates)” e dúvidas quanto à fiabilidade do sistema informático central do EES. Acresce ainda a utilização reduzida da aplicação de pré-registo por parte dos Estados-Membros, atualmente adotada apenas pela Suécia e, mais recentemente, por Portugal.

Neste contexto, aeroportos e companhias aéreas antecipam um aumento dos tempos de espera para passageiros não pertencentes ao espaço Schengen já nas próximas semanas, numa altura em que o registo biométrico de todas as entradas se tornará obrigatório.

As associações do setor apelam ainda aos decisores políticos para que “não normalizem tempos de espera superiores a uma hora nas fronteiras externas do espaço Schengen”, alertando que tal poderá comprometer a experiência dos passageiros e a eficiência do sistema de transporte aéreo europeu.

Apesar das críticas, o setor reafirma o seu apoio aos objetivos do EES no reforço da segurança e gestão das fronteiras, defendendo, no entanto, que a sua implementação deve ser operacionalmente viável e não comprometer o funcionamento dos aeroportos nem o fluxo de passageiros.

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