Domingo, Março 15, 2026
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The devil is in the details

Todos os anos somos bombardeados com relatórios sobre novas tendências, novos conceitos, novos procedimentos, e muitos deles contradizem-se. Um diz que a “cor” para este ano é o encarnado. Outro diz que é vermelho (se fosse assim até não era mau), e outro diz que é azul (aqui já reviramos os olhos e a dúvida tende a surgir).

Ricardo Augusto

Se pensarmos em comidas, bebidas, produtos, suplementos, viagens, hotéis, restaurantes, então começa uma verdadeira maratona, infindável, na procura de informação que minimamente coincida entre “todas”. No fundo, o objetivo será conseguirmos delinear um ponto de partida, uma estratégia, com base na informação recolhida, para sermos bem-sucedidos. Não é fácil, acreditem!

A conhecida expressão “The Devil is in the Details”, no meu entender, que já tenho uns aninhos disto de “brincar aos hotéis”, será o que deveremos ter em conta e será o que fará toda a diferença entre termos ou não sucesso. Passo a explicar: Primeiramente, é fulcral conhecermos o nosso produto, o nosso espaço, o nosso cliente, o nosso target, o nosso conceito e a nossa equipa e assim, no meio de tantas “cores”, ver qual delas se enquadra no nosso negócio. Muitas vezes será ainda necessário trabalhar essa “cor” e criar uma nova com uma tonalidade com tons ligeiramente diferentes, mas o quanto baste, para se enquadrar com o pretendido (com o nosso produto, espaço, cliente, target, conceito e equipa – a equipa identifica-se com o que foi criado).

Na unidade hoteleira onde exerço funções, descobrimos recentemente uma dessas novas tonalidades. Fomos buscar várias inspirações às novas tendências e sempre com “olho no detalhe”, desde logo na forma como o produto seria concebido, apresentado e divulgado. Juntou-se a vertente do street food (cada vez mais em voga segundo muitos reports) à vertente gourmet/luxo (também cada vez mais a ter em conta segundo outros tantos reports). Criamos um hambúrguer (street food) de lagosta (luxo) e carne de picanha com molho picante de pickle japonês.

Desde o seu lançamento que o prato em questão revelou-se um sucesso! Um top de vendas! É inclusive o nosso best/top seller! Preço de venda acima da média – dispara logo o ticket médio o que, só por si, é sinónimo de uma administração satisfeita e rácio em linha com o “exigido” o que, novamente, é mais um garante de bons resultados mensais e anuais (GAP muito considerável entre o que é produzido e o que é necessário para essa mesma produção = Maior GOP).

Antes de terminar este texto, vou dar-vos conta de um número que encontrei num report e que refere que 92% dos consumidores diz que os “food prices have been too high for too long”. Ah, é verdade, muitas vezes, o que lemos nos benditos relatórios serve também para contrariarmos, em jeito de teimosia, e ver qual o resultado. Como referi num dos muitos parágrafos, “já tenho uns aninhos disto de brincar aos hotéis”.

Por Ricardo Augusto

É hotel manager do NEXT da Savoy Signature, na Madeira, Founder & CEO da REDE-T, rede de profissionais na área de turismo, hotelaria e restauração.

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