A nova digressão europeia dos Radiohead, que arranca a 4 de novembro em Madrid, deverá gerar mais de 12 milhões de euros em consumo turístico nas cidades que acolhem os concertos. A conclusão é de uma análise da Mabrian e da The Data Appeal Company (Almawave Group), que mediu o impacto económico da tour em setores como alimentação e bebidas, alojamento e transportes.
Os dados revelam um padrão interessante: quase 60% da despesa total dos fãs será feita em alimentação e bebidas, enquanto o alojamento representa menos de 20%. Isso significa que a maioria dos espectadores será composta por residentes, excursionistas ou viajantes de curta distância, em vez de turistas que pernoitam nas cidades anfitriãs.
Concertos geram impacto local, não apenas turístico
Os quatro destinos analisados — Madrid, Bolonha, Londres e Berlim — irão receber mais de 205 mil espectadores durante 16 concertos.
O impacto total estimado ultrapassa 12 milhões de euros, mas o mais relevante é a distribuição do gasto, que evidencia um modelo de evento mais sustentável: menos dependente do alojamento e mais focado no consumo local.
“O estudo mostra que a estratégia de bilhética da banda, que priorizou residentes e fãs de países próximos, canaliza a despesa para serviços locais — sobretudo restauração e mobilidade,” explica Carlos Cendra, diretor de marketing da Mabrian. “Isso reduz a pressão sobre o alojamento e torna o evento mais equilibrado do ponto de vista da sustentabilidade urbana.”

Londres lidera com 4,2 milhões de euros
A capital britânica, que acolherá quatro datas no The O2 Arena, deverá gerar 4,2 milhões de euros em consumo turístico, quase o dobro das restantes cidades.
O valor reflete os preços mais elevados da cidade em alojamento, refeições e transportes, que se repartem da seguinte forma: 59,2% em alimentação e bebidas; 21% em alojamento e 19,8% em transportes
Madrid surge em segundo lugar, com 2,3 milhões de euros, e a maior fatia (61,6%) também dedicada à restauração. Berlim e Bolonha apresentam impactos de 2,7 e 2,8 milhões, respetivamente, destacando-se pelo peso dos transportes terrestres, já que muitos fãs virão de regiões vizinhas.
Um modelo que interessa a Portugal
Embora a digressão não inclua nenhuma cidade portuguesa, o impacto económico do evento oferece lições valiosas para o setor turístico nacional. Portugal tem reforçado a sua aposta no turismo de eventos e entretenimento ao vivo, e análises como esta demonstram como os grandes concertos podem dinamizar economias locais mesmo quando o público é maioritariamente residente.
“Estes dados são reveladores: mostram o verdadeiro valor que os eventos criam para o comércio local, a restauração e os transportes,” sublinha Mirko Lalli, CEO da The Data Appeal Company. “Para as autarquias e entidades de turismo, este tipo de inteligência é essencial para planear investimentos, gerir fluxos e otimizar serviços públicos.”
A Mabrian e a Data Appeal vão apresentar estes resultados durante a World Travel Market (WTM), em Londres, a 4 de novembro, no painel “Unlocking the Tourist Impact of Events”.
O objetivo é debater como transformar o impacto de curto prazo dos eventos em valor turístico sustentável — um tema que ganha relevância à medida que cidades europeias competem para acolher grandes espetáculos.
Em Portugal, exemplos como o NOS Alive, o Primavera Sound Porto ou o EDP Cool Jazz já demonstraram o potencial deste tipo de turismo. A análise dos Radiohead vem reforçar a ideia de que o turismo de eventos é hoje uma das vertentes mais estratégicas e sustentáveis do setor.




