O Turismo de Portugal apresentou esta quinta-feira, 26 de fevereiro, na BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market, as linhas estratégicas da Agenda para a Ação Climática no Turismo 2030, assumindo a ambição de posicionar o setor como “um agente ativo na mitigação e na adaptação às alterações climáticas”.
A iniciativa, integrada na programação da 36.ª edição da BTL, marca o arranque formal do processo de construção da agenda, que será desenvolvido com o apoio de um grupo de acompanhamento agora constituído e que terá como missão definir, quantificar e operacionalizar as medidas a implementar.
Na apresentação da visão, pilares e prioridades da agenda, Leonor Picão, diretora coordenadora da Direção de Recursos e Oferta do Turismo de Portugal, sublinhou que o turismo é “um setor muito vulnerável à ação climática”, lembrando que fenómenos extremos recentes tiveram impacto direto no território e na atividade. “Basta pensarmos nos territórios que foram recentemente devastados pelas tempestades, houve imediatamente o cancelamento de reservas no alojamento turístico”, afirmou, acrescentando que os turistas são também um grupo particularmente exposto às alterações climáticas, por estarem “fora da sua cadeia de conforto, das suas casas, da sua rede médica” e mais expostos às intempéries.
Três eixos: resiliência, neutralidade carbónica e regeneração

A Agenda para a Ação Climática no Turismo 2030 enquadra-se na futura Estratégia de Turismo 2035 e está alinhada com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13 (Ação Climática). Segundo Leonor Picão, a visão assenta em três grandes eixos: tornar o setor “mais resiliente, mais regenerativo, neutro em carbono”.
No domínio da resiliência, o Turismo de Portugal pretende reforçar a adaptação e a gestão de riscos, integrar critérios climáticos no planeamento territorial e desenvolver mecanismos de resposta “ágeis, rápidos e claros” perante fenómenos extremos.
Ao nível da neutralidade carbónica, a prioridade passa por “descarbonizar a atividade turística”, reduzindo emissões ao longo de toda a cadeia de valor, promovendo a eficiência energética e o uso de energias renováveis.
Já o modelo regenerativo implica ir além da neutralidade. “Não basta já hoje ser neutro. Nós temos que ter um impacto positivo”, afirmou a responsável, defendendo a restauração e proteção dos ecossistemas, a valorização do capital natural e a aposta na economia circular, na redução de resíduos e no uso eficiente da água e da energia.
“Queremos medir, queremos descarbonizar e queremos regenerar”, sintetizou Leonor Picão, explicando que a medição é essencial para definir metas e monitorizar resultados, enquanto a regeneração deverá traduzir-se num contributo positivo do setor para o ambiente e para as comunidades.
A criação de um grupo de acompanhamento foi apresentada como elemento central do processo. “O pensamento tem que ser de todos. E a responsabilidade e o compromisso também”, afirmou, apelando à participação ativa dos diferentes atores do setor.
Crescer com valor, equilíbrio e impacto
Na sessão de abertura, Carlos Abade, presidente do Turismo de Portugal, enquadrou a agenda no modelo de desenvolvimento que a entidade pretende para o setor, defendendo um turismo que cresça “sobretudo em valor acrescentado”, com equilíbrio e impacto.
Segundo o responsável, o crescimento deve traduzir-se em criação de valor local, equilíbrio na utilização dos recursos e reforço do contributo do setor para a economia e para as pessoas. “Se o turismo é muito importante para Portugal, deve ser ainda mais importante para a economia e para as pessoas”, afirmou.
Carlos Abade salientou que a agenda agora formalmente lançada não resulta exclusivamente dos fenómenos meteorológicos recentes, mas reconheceu que estes acontecimentos reforçam a urgência de acelerar a resposta estratégica. “Aquilo que aconteceu apenas veio dar conta de que temos que acelerar, de facto, na construção de uma estratégia para um setor que é tão importante e tão impactante em Portugal”, declarou.
O presidente recordou ainda o trabalho desenvolvido nos últimos anos, nomeadamente o Plano Turismo + Sustentável, o programa Turismo 360 – que apoiou as empresas na integração de princípios ESG – e a criação de ferramentas de cálculo de risco e de emissões. Destacou também a constituição de uma rede nacional de observatórios regionais de turismo.
O objetivo é que a agenda seja trabalhada com o grupo de acompanhamento e parceiros institucionais ao longo dos próximos meses, permitindo avançar para a implementação das medidas definidas.
Alinhamento europeu e plano de ação climática
A sessão contou igualmente com a intervenção de Elisa Catania, gestora de projetos europeus e sustentabilidade da European Travel Commission, que apresentou o Climate Action Plan para organizações nacionais de turismo.
A responsável salientou que 95% das organizações nacionais de turismo identificam a natureza como um dos seus principais produtos turísticos, o que aumenta a exposição aos riscos climáticos. “Se a natureza está no coração do turismo, então o clima deve estar no coração da estratégia do turismo”, afirmou.
A responsável destacou ainda a importância da co-criação e do alinhamento europeu, defendendo que a ação climática no turismo exige cooperação, partilha de conhecimento e liderança. “A sustentabilidade não é mais um assunto de nicho. É uma estratégia, é competitividade, é resiliência”, afirmou.
Com o lançamento da Agenda para a Ação Climática no Turismo 2030, o Turismo de Portugal assume a intenção de consolidar o setor como parte ativa na resposta às alterações climáticas, promovendo destinos “mais resilientes, mais preparados, mais inclusivos e mais competitivos a longo prazo”.



