O presidente da Turismo Centro de Portugal, Rui Ventura, assegurou esta sexta-feira, em entrevista ao TNews na BTL – Better Tourism Lisbon Travel Market, que a região “já está a dar resposta positiva ao turista”, apesar dos impactos provocados pelas recentes tempestades que afetaram vários concelhos do território. O responsável admite que o início do ano foi penalizado, mas garante que o Centro estará preparado para receber visitantes na época alta e anuncia uma campanha conjunta com o Turismo de Portugal para reforçar a confiança nos mercados emissores.
“Relativamente àquilo que foram estas tempestades, nós estamos a recuperar, obviamente, dentro daquilo que são as medidas articuladas com o Governo, com a estrutura de missão que está no terreno”, afirmou. Segundo Rui Ventura, mesmo nas zonas afetadas “muitos dos nossos alojamentos já estão a abrir, uns por completo e outros ainda parcial”, sublinhando que “a verdade é que já estamos a dar resposta positiva ao turista”.
Como exemplo da capacidade de reação do território, referiu a realização, na semana passada, “do maior workshop religioso do país, com 50 países presentes”, em Fátima, um dos locais atingidos pelas tempestades. “É um exemplo para perceber a resiliência do território em estar preparado já para receber as pessoas”, declarou, acrescentando que, embora a recuperação de algumas infraestruturas complementares ao turismo possa demorar, “isso não impede as pessoas de visitarem o território, porque houve infraestruturas que não foram sequer afetadas”.
Questionado sobre o processo de apoio às empresas, Rui Ventura reconheceu que subsistem alguns constrangimentos, sobretudo ao nível de acessos e energia, “mas estamos a falar já de questões muito residuais”, afirmou, mostrando-se confiante de que estas situações “possam ser resolvidas o mais rápido possível”.
O presidente da entidade regional adiantou que será realizada uma reunião com a estrutura de missão criada para acompanhar a situação, com o objetivo de atualizar o ponto de situação no terreno e transmitir essa informação aos agentes turísticos. “Estamos atentos, estamos todos em conjunto: entidades públicas, entidades privadas, mas também o cidadão anónimo que está a trabalhar e ajudar as próprias empresas”, sublinhou.
Rui Ventura enquadrou ainda a atual crise na sucessão de incêndios que têm afetado a região nos últimos anos, defendendo que o Centro tem demonstrado capacidade de superação sempre que confrontado com situações adversas.“É óbvio que é uma ferida, mas como todas as feridas ela vai ser curada e vamos conseguir ultrapassar”, afirmou.
Carnaval penalizado, Páscoa com sinais de recuperação
Em termos de procura, o responsável admitiu que o início de 2025 foi negativo. “Nós iniciámos mal o início do ano, o que é natural, tendo em conta que não dependeu de nós”, reconheceu. O Carnaval, tradicionalmente um período forte para a região, registou uma quebra, mas Rui Ventura acredita numa recuperação gradual já a partir da Páscoa. “As pessoas vão começar a voltar a acreditar no território”, sublinhou.
O presidente da Turismo Centro de Portugal mostrou-se convicto de que a região estará operacional na época alta. “Eu acredito que nós vamos estar prontos para receber no verão, não tenho dúvida nenhuma”, declarou, admitindo que “pode não ser em algumas zonas na sua capacidade máxima”, mas reforçando a confiança na capacidade global de resposta.
“O Centro de Portugal é muito mais do que as zonas que foram afetadas, mas mesmo essas já conseguem receber”, disse, lembrando que o território abrange “100 municípios” e “oito sub-regiões, do Atlântico ao interior”, com uma oferta vasta e diversificada.
Quanto à imagem do destino, Rui Ventura reconheceu que foi afetada no momento da crise, salientando que as notícias tiveram projeção internacional. Para contrariar esse impacto, está a ser preparada uma campanha conjunta com o Turismo de Portugal. “Estamos a programar uma campanha com o Turismo de Portugal para as pessoas virem ao território. É um território seguro, não é um território de massas, é um território autêntico”, explicou.
O responsável apelou ainda à mobilização dos visitantes como forma de apoiar a recuperação económica. “Às vezes não basta só nós dizermos que aconteceu aquilo. Podemos contribuir e às vezes contribuir é estar presente, é ajudar a economia desse mesmo território”, concluiu, manifestando confiança de que a região voltará a afirmar-se plenamente junto dos mercados emissores.



