O mercado português está “de volta ao caminho certo” para o Dubai, depois da quebra da procura provocada pelo conflito no Médio Oriente, e continuará a ser uma das apostas do destino entre os mercados europeus. Em declarações à imprensa durante o Arabian Travel Market (ATM), que decorre entre 14 e 17 de setembro no Dubai, Aida Al Busaidy,Vice President – Social & Consumer Advocacy do Dubai Department of Economy and Tourism (DET), revelou ainda que a equipa de travel trade do destino estará em Lisboa e no Porto já em outubro.
“Portugal cresceu, entre janeiro e novembro de 2025, cerca de 10% e estava numa trajetória muito positiva até fevereiro”, afirmou Aida Al Busaidy durante uma mesa-redonda com jornalistas internacionais. Após a quebra provocada pelo conflito, “estamos de volta ao caminho certo em termos de visitantes”, assegurou. “Vamos continuar a fazer crescer este mercado, como fizemos no passado.”
Sobre o papel de Portugal na estratégia do destino, a responsável afirmou que o país é “definitivamente um dos mercados em que estamos focados em crescer de forma mais significativa”. A estratégia deverá passar simultaneamente pela conectividade aérea, notoriedade do destino e colaboração com agentes de viagens e operadores turísticos. “Não existe uma solução única para todos”, explicou, acrescentando que o DET avalia trimestralmente o desempenho de cada mercado e ajusta a atuação às áreas onde identifica maior potencial de crescimento.
A aposta deverá traduzir-se também numa maior presença física em Portugal. Durante a mesa-redonda, a equipa do Turismo do Dubai revelou que estará em Lisboa e no Porto no próximo mês, no âmbito das ações desenvolvidas junto do trade. Aida Al Busaidy destacou ainda o acordo de codeshare entre a Emirates e a TAP e indicou que o destino pretende aprofundar as relações nos mercados onde identifica potencial adicional de crescimento.
Apesar da trajetória de recuperação, o DET não avançou a dimensão da quebra registada pelo mercado português nem uma previsão concreta sobre a possibilidade de terminar 2026 nos níveis anteriores ao conflito. Aida Al Busaidy explicou que o organismo está “menos focado naquilo que não funcionou”, uma vez que parte dos fatores esteve fora do seu controlo, incluindo os avisos de viagem emitidos nos diferentes mercados.
“Para nós, os elementos mais importantes são perceber se estamos a avançar com planos semelhantes aos que tínhamos antes e se devemos expandir os nossos planos de marketing”, afirmou. O DET, acrescentou, “não parou o marketing” e continuará a marcar presença em Portugal. “É esse nível de tranquilização e a consistência das conversas que precisam de ser mantidos”, salientou, apontando depois para o objetivo de perceber “como podemos fazer crescer ainda mais esse mercado”.
A responsável reconheceu, ainda assim, uma alteração na procura depois do conflito. “Diria que, globalmente, houve uma hesitação generalizada em relação às viagens”, afirmou, considerando que não se tratou de “um problema de um único destino”. “Acho que muitas pessoas pensaram: ‘Devo sair agora? Devo ir agora? Quero ir para este destino? Quero ficar onde estou?’”.
Para recuperar a confiança dos viajantes, o Turismo do Dubai está a apostar numa combinação de ações junto do travel trade, presença nos mercados e campanhas de marketing. “Estamos agora a regressar à mesma trajetória que tínhamos anteriormente nos mercados”, indicou Aida Al Busaidy.
O papel dos agentes e operadores turísticos assume particular importância nesta estratégia. Segundo a responsável, a presença nos mercados e as relações desenvolvidas ao longo dos anos contribuem para “aliviar algumas destas preocupações”, num contexto em que os consumidores continuam também condicionados pelos avisos de viagem emitidos pelos respetivos governos. “As pessoas confiam no Dubai devido a esta visão de longo prazo”, defendeu, acrescentando que “a consistência” da comunicação e a presença nos mercados têm ajudado a responder às preocupações dos viajantes.
Ocupação recupera de 36% para 66% desde março
A recuperação apontada pelo Turismo do Dubai surge depois de uma quebra significativa no início do conflito. A taxa de ocupação hoteleira do Dubai, que caiu para 36% em março, atingiu 66% em agosto. O valor representa, contudo, 89% da ocupação registada no mesmo mês de 2025, segundo os dados divulgados pelo DET.
Em agosto, o emirado recebeu cerca de 869 mil visitantes internacionais, o valor mensal mais elevado desde fevereiro, após vários meses de crescimento de dois dígitos em cadeia. Entre janeiro e agosto, o Dubai contabilizou 6,97 milhões de visitantes internacionais.
A Europa Ocidental continua a ser a principal região emissora para o destino, representando 20% das chegadas internacionais nos primeiros oito meses do ano, o equivalente a cerca de 1,37 milhões de visitantes, segundo os dados apresentados. Seguem-se o Sul da Ásia, com 17%, os países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), com 16%, e a Comunidade de Estados Independentes e Europa de Leste, com 14%.
No setor hoteleiro, o Dubai aproximava-se dos 149 mil quartos no final de agosto e registou 21,61 milhões de noites ocupadas nos primeiros oito meses do ano.
A resposta à disrupção incluiu também intervenção pública. O Governo do Dubai disponibilizou um pacote de estímulos de 2,5 mil milhões de dirhams para apoiar os setores do turismo, hotelaria e entretenimento, incluindo um esquema de incentivos à hotelaria. “Foi para ajudar a indústria a retomar de onde tinha ficado, essencialmente, a 28 de fevereiro”, explicou Aida Al Busaidy.
Ao nível da conectividade, a Emirates já repôs 97% da sua rede global, enquanto a flydubai recuperou 85% da operação, segundo os dados apresentados. Aida Al Busaidy destacou ainda as medidas adotadas pela hotelaria para prolongar estadias e flexibilizar condições durante o período de maior disrupção, defendendo que a prioridade foi garantir a segurança dos visitantes.
A recuperação, contudo, não está a ocorrer à mesma velocidade em todos os mercados. Segundo a responsável, os mercados de proximidade estão a regressar mais rapidamente, devido à facilidade de acesso terrestre ou através de voos de curta duração, enquanto nos mercados mais distantes o comportamento continua condicionado, entre outros fatores, pela sazonalidade.

Dubai prepara novo aeroporto para mais de 200 milhões de passageiros
Em paralelo com a recuperação da procura, o Dubai está a preparar uma expansão significativa da sua capacidade turística e de transportes. Entre os projetos destacados por Aida Al Busaidy está o desenvolvimento do novo aeroporto, com abertura apontada para dentro de aproximadamente oito anos e capacidade projetada para mais de 200 milhões de passageiros. A responsável destacou ainda a entrada em funcionamento da Etihad Rail, que irá ligar os diferentes emirados, e a expansão da rede de metro.
Estes investimentos enquadram-se na Dubai Economic Agenda D33, estratégia que orienta o desenvolvimento do emirado até 2033 e que Aida Al Busaidy apresentou como o “North Star” da atuação do destino. No turismo, um dos objetivos passa por consolidar a posição do Dubai como destino global de lazer e negócios, através do reforço da conectividade, da procura internacional e da diversificação da oferta e dos mercados emissores.
Nos próximos cinco a oito anos, estão também previstos novos projetos turísticos e de infraestruturas, entre os quais o Therme Dubai, dedicado ao bem-estar, o Dubai Exhibition Centre, na zona da Expo City, o Dubai Museum of Art e o desenvolvimento de Palm Jebel Ali. “Os projetos estão já em curso e deverão ser lançados aproximadamente nos próximos cinco a oito anos”, afirmou a responsável, apontando para um calendário que deverá acompanhar a entrada em funcionamento do novo aeroporto.
O destino procura, em paralelo, alargar as motivações de visita e incentivar o regresso dos turistas, apostando em áreas como gastronomia, cultura e património, bem-estar, sustentabilidade e acessibilidade. A estratégia inclui ainda a promoção de zonas menos associadas à imagem internacional do Dubai, como Hatta, a cerca de uma hora da cidade, onde a oferta inclui caminhadas, caiaque e alojamento em contacto com a natureza. Durante a mesa-redonda, Al Busaidy defendeu que o destino tem hoje “muito mais profundidade”, depois de uma primeira fase mais focada em dar a conhecer os seus principais atrativos.




