Terça-feira, Abril 14, 2026
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“Turismo em Portugal continuará a crescer em 2026”, diz AHP apesar da instabilidade internacional

A presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, afirmou esta quinta-feira, 26 de março, que o turismo nacional deverá continuar a crescer em 2026, apesar do contexto internacional adverso.

“Nós continuamos a acreditar que, efetivamente, o turismo em Portugal para 2026 continuará a ter resultados positivos, inclusive a crescer”, afirmou, no final da apresentação do inquérito “Balanço Carnaval e Perspetivas Páscoa 2026”.

Ainda assim, deixou claro que esse crescimento será mais moderado: “a nossa convicção é que o turismo em Portugal continuará a crescer, mas com um claro abrandamento”.

Com base num raciocínio alinhado com a revisão em baixa do crescimento económico pelo Banco de Portugal, a AHP estima que o setor possa registar um aumento de 2,5% em hóspedes, 1,7% em dormidas e 3% em receitas em 2026, abaixo do desempenho de 2025.

A atual conjuntura internacional foi apontada como o principal fator de incerteza. “Há, evidentemente, um nível muito elevado de incerteza e, à medida que o conflito evolui, sobretudo sem sabermos qual é a sua duração, há imediatamente impacto”, referiu, apontando o conflito no Médio Oriente como elemento crítico.

Entre os efeitos já visíveis estão as perturbações no transporte aéreo, com o aumento significativo do preço do combustível de aviação. “O custo do jet fuel, nos custos de uma companhia aérea, ronda os 30% a 35%. Portanto, reparem o impacto que isto tem”, sublinhou.

A responsável destacou também o cancelamento de rotas e a redução de operações aéreas, bem como a revisão de estratégias por parte das companhias, como fatores que estão a condicionar a procura.

Apesar deste enquadramento, Cristina Siza Vieira admitiu que Portugal poderá beneficiar, no curto prazo, de um desvio de fluxos turísticos: “há alguns fluxos, algum desvio que está a acontecer em razão destes desvios de tráfego”.

Este efeito poderá favorecer destinos considerados seguros, como os do sul da Europa, face à instabilidade em mercados concorrentes. No entanto, deixou um aviso: “é um sol de pouca dura, porque, efetivamente, isto vai abrandar para todos”.

Os dados do inquérito revelam já alguns sinais dessa instabilidade. Questionados sobre “que comportamento notam no seu ritmo de reservas para a Páscoa face à recente instabilidade geopolítica no Médio Oriente”, 24% dos inquiridos reportam aumento de cancelamentos ou abrandamento de reservas, enquanto 60% indicam manutenção e 16% referem mesmo uma aceleração.

A análise regional mostra comportamentos distintos. “A Península de Setúbal e os Açores […] notam um cancelamento ou abrandamento de reservas”, enquanto “o Alentejo e a Madeira [registam] uma aceleração”.

Outro impacto direto da conjuntura internacional é a quebra de alguns mercados emissores. “Desapareceram de facto do radar” os mercados da China e da Coreia do Sul, afirmou, associando essa ausência à interrupção de ligações aéreas. Também o mercado norte-americano apresenta sinais de abrandamento.

Perante este cenário, a presidente executiva da AHP destacou a resiliência estrutural da procura turística, ainda que com ajustamentos. “Continuaremos a viajar”, afirmou, admitindo, no entanto, mudanças no comportamento dos consumidores, como a redução da duração das estadias ou dos gastos.

Por outro lado, reforçou o papel do mercado interno: “o mercado interno é muito importante […] continuará a ser um mercado importante”.

A concluir, deixou uma nota de prudência quanto à evolução do ano: “há demasiadas variáveis […] sobretudo indefinição”, disse, sublinhando que o setor continua dependente da evolução do contexto internacional.

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