A Europa poderá encontrar no mercado canadiano uma oportunidade estratégica para reforçar a procura turística fora da época alta, com destaque para os meses intermédios, segundo um estudo divulgado pela Data Appeal e pela Mabrian.
Apresentado no âmbito de um webinar da European Tourism Association (ETOA), o estudo conclui que o Canadá se afirma como um mercado de longo curso “de elevado valor” e com potencial para impulsionar a chamada shoulder season, contribuindo para atenuar a sazonalidade do turismo europeu.
De acordo com a análise, os viajantes canadianos demonstram uma clara preferência por viajar para a Europa fora dos meses de verão, com picos de procura registados entre setembro e outubro, e um segundo período relevante entre abril e maio.
“Várias dimensões de dados mostram um padrão consistente: os viajantes canadianos tendem a privilegiar a época intermédia em detrimento do verão”, afirma Carlos Cendra, diretor de Marketing e Comunicações na Mabrian, citado no estudo.
Este comportamento posiciona o mercado canadiano como um aliado relevante para destinos europeus que procuram distribuir melhor os fluxos turísticos ao longo do ano.
O relatório destaca também o crescimento da conectividade aérea entre o Canadá e a Europa. Em 2025, o país foi o segundo mercado internacional com maior ligação aérea ao continente europeu, com 8,7 milhões de lugares disponíveis.
Entre os principais hubs, Paris registou um aumento significativo da capacidade, tanto no aeroporto Charles de Gaulle (+7,4%) como em Orly (+88,3%), atingindo 1,46 milhões de lugares.
Também Munique apresentou crescimento (+8,8%), enquanto Roma Milão registaram ligeiras quebras, apesar de Roma se manter como o segundo destino europeu mais relevante para este mercado, com 472 mil lugares disponíveis.
O perfil dos viajantes canadianos revela uma predominância de casais, que representam entre 42% e 49% do total, seguidos por famílias (22% a 27%).
Ao nível das motivações, a cultura assume um papel central. Roma destaca-se pelo património histórico, Paris pela combinação entre arte e gastronomia, e Milão pela diversidade de experiências, incluindo compras e atividades ao ar livre.
Os destinos europeus são, de forma geral, bem avaliados pelos viajantes canadianos, com Grécia (89,8/100), Croácia (88,1/100), Finlândia (86/100) e Itália (85,8/100) a registarem os níveis mais elevados de satisfação.
Entre os aspetos mais valorizados estão as experiências culturais, a gastronomia, a hospitalidade e a simpatia, enquanto fatores como preços, filas em atrações, processos de reserva e infraestruturas (Wi-Fi, casas de banho e acessibilidade) surgem como pontos de fricção.
O estudo conclui que, num contexto de incerteza geopolítica global, compreender o comportamento dos viajantes canadianos será essencial para os destinos europeus.
Segundo Carlos Cendra, será fundamental “otimizar estratégias de marketing e operação” para captar esta procura fora da época alta e potenciar o crescimento sustentável a longo prazo.



