A crescente fragmentação de sistemas tecnológicos no setor de viagens está a criar pressões financeiras e operacionais, ao mesmo tempo que eleva as expectativas sobre o uso de inteligência artificial (IA). Um estudo da plataforma TripWorks, especializada em reservas e automação para operadores de tours, atividades e atrações, indica que 2026 poderá marcar uma fase de consolidação decisiva no mercado.
Segundo o estudo, 91% das agências de viagens operam atualmente com quatro ou mais sistemas de reservas, e mais de metade utiliza sete ou mais, o que aumenta custos e prejudica “a experiência do cliente”. Além disso, 34% dos líderes globais do setor apontam a fragmentação tecnológica como o maior desafio, à frente da procura ou da concorrência.
Em comunicado, Aaron Fessler, CEO e fundador da TripWorks, sublinha que “estamos a entrar na era da consolidação do SaaS no turismo. Os operadores estão exaustos por lidar com cinco, dez ou até quinze ferramentas diferentes. A IA está a expor as ineficiências desse modelo”. Fessler acrescenta que “os vencedores em 2026 serão as plataformas que unificam o fluxo de trabalho, automatizam tarefas repetitivas e melhoram efetivamente as margens, em vez de acrescentar caos”.
O responsável explica ainda que o que alguns chamam de “apocalipse do SaaS” não significa que o software desapareça, mas sim que “a tecnologia terá finalmente de gerar valor”. “A IA está a substituir os sistemas inchados que atrasavam os operadores”, acrescenta. Segundo Fessler, o setor enfrenta um ponto crítico: com agências e operadores a gerir múltiplos sistemas de reservas, APIs e ferramentas desconectadas, “a indústria está preparada para uma mudança para plataformas integradas e nativas de IA, que centralizem operações, pagamentos, marketing e relação com o cliente”.
O estudo alerta, no entanto, que a consolidação tecnológica não resolve sozinha todos os desafios. Fessler destaca que, apesar de a IA ser indispensável para eficiência e escala, o setor de tours e atividades continua a depender do julgamento humano. “A IA deve eliminar trabalho repetitivo e fornecer melhores decisões, mas não pode substituir as pessoas que compreendem os detalhes de gerir experiências no mundo real”, afirma. “No centro de cada viagem memorável está um ser humano que se preocupa – alguém capaz de interpretar um momento, tranquilizar um cliente ou resolver um problema com empatia. A tecnologia torna-se muito mais poderosa quando ajuda essas pessoas a brilhar.”



