Quinta-feira, Fevereiro 22, 2024
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Entrevista: “A importação de mão de obra é inevitável” (VÍDEO)

Em entrevista ao TNews, o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Raul Martins, fala do problema mais desafiante da indústria hoteleira, a falta de mão de obra, e aponta caminhos para a sua resolução.

Primeira parte da entrevista: “Quando o Governo faz um plano de turismo até 2027, sem atender à construção de um novo aeroporto, não é consistente” (VÍDEO)

É verdade que alguns hotéis não abriram no verão porque não tinham equipa?

É verdade. Hotéis mais pequenos tiveram essa dificuldade. Agora vamos às razões. A primeira é que, felizmente, a população portuguesa aumentou o seu nível de educação. Depois, a circunstância do desemprego criado pela pandemia levou a que muitas pessoas prolongassem essa situação e algumas também obtiveram formas de remuneração fora do circuito legal. Há muitas situações de trabalho que não são declaradas, sabemos que isso existe.

O desemprego, que começou com a pandemia, vai estar agora a acabar ou acabará para o ano. Portanto, é outro fator que tem levado à não disponibilidade. O terceiro fator é o facto das pessoas que trabalhavam no turismo, ao verem que situação não se resolvia a curto prazo por força da pandemia, tiveram outras oportunidades e agora não querem regressar.

Créditos Its All About

Percecionam o turismo como um setor de risco?

Sim. Todos os dias estamos a ser acometidos de notícias que nos dão uma previsão ainda de incerteza. A importação de mão de obra é inevitável.

Como é que se pode resolver esta situação?

Por um lado, a autorização para que os jovens possam fazer mais horas, porque está limitado. Os jovens estudantes na área da hotelaria são bem-vindos, e eles gostam dessa experiência. É o Ministério do Trabalho que tem de autorizar que os estudantes possam trabalhar mais horas do que trabalham hoje em dia. Tivemos uma reunião com a senhora ministra e estão a ser preparadas essas alterações.

Por outro lado, temos que ir buscar trabalhadores ao exterior. Nesse aspeto, há situações que se podem operar imediatamente, mas que não estão a funcionar. Vou dar um exemplo: temos a Escola de Formação em Cabo Verde, com acordos com a CPLP e vistos rápidos para vir para Portugal e isso não funciona. Nós, na hotelaria, pedimos, há pessoas que fizeram cursos de formação, nomeadamente em Cabo Verde, e não conseguem vir porque, a nível dos Negócios Estrangeiros, as coisas não funcionam. Temos que insistir com o Ministério para que essa situação possa funcionar. Depois, teremos de fazer acordos com outros países, como o Brasil, e podemos procurar outros países que, não sendo tão próximos, tenham perfis que se enquadram na população portuguesa. Vou dar o exemplo das Filipinas, que têm uma influência hispânica e são de fácil integração. Será melhor essa origem do que outras que são mais desenquadradas da sociedade portuguesa.

Este tipo de medidas não é acolhido favoravelmente pela opinião pública que, por vezes, aponta: “Preferem ir buscar lá fora do que pagar mais”. Como é que responde?

Isso não é verdade. Na hotelaria o ordenado médio é superior ao ordenado médio nacional, já era assim em 2019 e continuará a ser. O que acontece é que na hotelaria, onde há mais volume de emprego (quatro e cinco estrelas) não há praticamente quem pague o ordenado mínimo. E no ordenado médio estamos acima da média nacional. Em 2019, quando calculámos o ordenado médio era à volta de 1000 euros, quando o ordenado médio nacional era 900 euros. Para nós, esta situação do aumento do ordenado mínimo para 705 euros não provoca constrangimentos na hotelaria. É evidente que o maior volume são salários mais baixos, são os que são menos qualificados.

Há, todavia, uma situação que é, quem procura emprego, não gosta de trabalhar ao sábado e domingo. Uma das dificuldades também é que as pessoas que trabalham ao sábado e ao domingo e, de uma forma geral, as pessoas tentam não trabalhar ao fim de semana. Na hotelaria não estamos a condicionar-nos pelo valor do ordenado. Um empregado que já tenha experiência, não é pelo ordenado que há problemas na contratação. Conhecemos casos de transferências de profissionais de uns hotéis para outros e isso está a fazer com que os ordenados aumentem

No próximo ano, a Associação de Hotelaria de Portugal (AHP) tem eleições. Já pensou se vai recandidatar-se?

Ainda não pensei sobre isso. A designação do candidato à AHP depende do Conselho Geral. O Conselho Geral há-de reunir no final do ano. 

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