Quinta-feira, Março 12, 2026
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Apartool quer liderar o alojamento corporativo até 2025. Em Portugal já tem 7000 alojamentos em carteira

Começou por ser um projeto de final de curso, hoje é uma empresa que fatura 15 milhões de euros. A Apartool, empresa B2B, fundada em 2015, em Barcelona, com a missão de ter habitações corporativas para estadias de longa duração para empresas e organizações corporativas que precisam de deslocar as suas equipas para outras localizações, fechou uma ronda de financiamento Série A, no valor de 5,5 milhões de euros, e Lionel Messi é um dos investidores. A empresa tem escritório em Portugal desde fevereiro de 2020, trabalhando com agências como a Travelstore, Viagens El Corte Inglés e Abreu. Em entrevista ao TNews, Lara Mengatti, country manager da Apartool, faz o balanço da operação no nosso país e fala sobre o planos de expansão.

Como é que surgiu a Apartool?

A empresa nasceu em 2015, com um trabalho de final de curso dos fundadores. Como o projeto foi muito bem avaliado, e como tinham uma veia empreendedora, decidiram passar à ação. Começaram por trabalhar com alojamento corporativo (para as empresas), foram adaptando o projeto, crescendo e transformaram a Apartool no que ela é hoje. Hoje a Apartool é uma empresa que trabalha com alojamento corporativo de média e longa estadia. Somos um intermediário entre os fornecedores de alojamento que querem trabalhar com um público corporativo, de 15 dias a 12 meses, e empresas que precisam deslocar os seus funcionários para todo o mundo. Apesar da empresa ser originalmente de Barcelona, como trabalhava com empresas multinacionais, existia a procura por espaços noutros países, como França, Portugal e Alemanha, e por esse motivo expandiram para outros países.

Completaram uma ronda de financiamento no valor de 5,5 milhões de euros? Para quê que servirá esse valor?

O investimento está focado em dois pontos principais. Nascemos como uma empresa de tecnologia, temos uma plataforma tecnológica e o investimento vem para fortalecer essa parte, para desenvolver a tecnologia e chegar ao objetivo de sermos a empresa líder no alojamento corporativo até 2025. Por outro lado, para a internacionalização. Hoje temos escritório em Barcelona, em Portugal e vamos expandir para o Médio Oriente (Dubai), Reino Unido e Alemanha, e fortalecer essa operação internacional.  

Qual o balanço da presença em Portugal?

Em Portugal, começámos em setembro de 2020, fomos crescendo pouco a pouco, ainda mais porque estávamos numa pandemia, hoje temos cerca de 7000 alojamentos no portefólio em todas as regiões de Portugal. Por outro lado, temos cerca de 100 clientes na nossa carteira. No ano passado, tivemos 588 pedidos e registámos um milhão de faturação em Portugal, esses pedidos vieram de cerca de 890 clientes. Este ano, já duplicámos este número de pedidos e aumentámos o nosso número de clientes também.

Que objetivos têm para o mercado português?

Temos o objetivo de consolidar e crescer no mercado. Já é uma operação lucrativa, que funciona bem e já temos os nossos clientes fidelizados. Para consolidarmos a operação, focamo-nos muito na qualidade. Por isso, o foco da nossa carteira de produtos não é a duplicação, mas priorizar a qualificação dos alojamentos que fornecemos, ou seja, que estejam sempre dentro do padrão que oferecemos aos clientes, sempre mobilados, com as despesas e limpeza incluídas, e sejam fornecedores de confiança. Do lado dos clientes, temos o objetivo de fidelizá-los ainda mais. Uma das mais valias que apresentamos aos nossos clientes é que, em vez de precisarem de dois ou três fornecedores de alojamento, para onde quer que desloquem os seus funcionários, a Apartool unifica tudo isso numa única plataforma, é o único ponto de contacto com faturação centralizada. O cliente pode contar com a Apartool para ser o seu fornecedor de alojamento global. Isso simplifica muito a vida da empresa. A nível de clientes o nosso objetivo é esse, desenvolver ainda mais a relação, fidelizá-los e crescermos juntos.

Equacionam aumentar a equipa em Portugal?

Temos uma equipa de três pessoas em Portugal, uma pessoa para a gestão que sou eu, outra para as relações com os clientes e outra com os fornecedores. Aumentaremos a equipa à medida do aumento do volume de negócios.

Qual o volume de negócios que pretendem alcançar em Portugal?

Hoje Portugal é responsável por 12% a 13% da faturação global da empresa. Comparando o tamanho do mercado português, esta percentagem é bastante expressiva. A empresa tem como objetivo global duplicar o volume de negócios e espera que em Portugal aconteça o mesmo. Faturámos cerca de um milhão no ano passado, e o objetivo deste ano é duplicar a faturação. Há um potencial gigante no mercado português. Portugal foi estratégico para nós porque foi a primeira internacionalização da empresa, pela proximidade geográfica e cultural e, em segundo lugar, porque já tínhamos uma procura crescente em Portugal. Crescemos muito em conformidade com os nossos clientes. Já tínhamos empresas globais que tinham procura para Portugal, e vimos uma oportunidade para vir para cá. Foi uma surpresa muito positiva, fomos muito bem recebidos no país.

Quais as mais valias da Apartool para o viajante corporate?

Quando chegámos a Portugal, vimos que faltava uma empresa que fosse profissionalizada. Claro que quando alguém vem trabalhar para cá dois ou três meses, é possível recorrer ao Airbnb, mas faltava uma plataforma que unificasse essa oferta, com vários alojamentos que podem ser arrendados por dois, três, seis meses.

Por sua vez, oferecemos um pacote pronto para o nosso cliente/empresa com aquilo que precisa, ao contrário do mercado imobiliário, em que o cliente tem de comprar os móveis, contratar água, gás, etc. Quando uma agência corporativa nos pede um apartamento por seis meses completamente mobilado com despesas incluídas em Ovar, nós temos. No Alentejo? Nós temos, e se não temos, resolvemos em pouco tempo.

Com que agências trabalham em Portugal?

Trabalhamos com algumas agências de relocation como a Santa Fe Relocation, a Eres Relocation e a Global International Relocation, com agências de viagens como a Travelstore, Viagens El Corte Inglés, Abreu e com algumas empresas diretamente, que têm o seu departamento de viagens interno como a Siemens, Accenture, Air Liquide, a Bosch, etc.

Quais as tendências observam no alojamento para as viagens de negócio?

Temos visto a adesão pouco a pouco da tecnologia. O mercado corporativo não usa ainda tanto a tecnologia quanto o viajante de lazer, mas é uma tendência crescente, porque facilita a vida. Em termos de viagens, viu-se uma diminuição das viagens mais curtas, porque as reuniões foram substituídas por zoom, por questões de sustentabilidade e custos. Num dos eventos em que estive recentemente, falou-se que as viagens mais curtas diminuíram, mas quando se faz uma viagem, tem de valer a pena e acaba por ser mais longa. As empresas pensam: se vou deslocar o meu diretor para outro país, vou otimizar o tempo dele, marcar mais reuniões, visitas. Para a Apartool isso foi óptimo, porque criou mais oportunidades uma vez que o viajante permanece mais tempo.

2023 é o ano da recuperação total das viagens corporativas?

No nosso negócio, estamos a atingir os níveis que nos propusemos, mas, no geral, penso que não. Essas viagens mais curtas de que falei anteriormente não foram retomadas. Com os conflitos globais que estão a acontecer este ano, muitas empresas travam um pouco as viagens, até por questões de orçamento. O que vemos de tendência nos fóruns e análises é que o ano de 2023 foi melhor do que esperado. Os níveis gerais de recuperação ainda não atingiram os níveis de 2019. Penso que os anos seguintes serão bastante melhores. O turismo este ano estourou, o turismo de negócios vem em seguida.

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