Sábado, Maio 28, 2022
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Companhias voam sem passageiros para manter slots? Governo belga questiona Comissão Europeia

O governo belga, através do seu ministro da Mobilidade, Georges Gilkinet, enviou uma carta à Comissária Europeia dos Transportes, Adina Valean, na passada segunda-feira, dia 3 de janeiro, a pedir a revisão da legislação relativa às slots.

Para evitar a perda de direitos de slots de aterragem e decolagem, as companhias aéreas operam voos sem passageiros, noticiou esta quarta-feira, dia 5, a imprensa belga. É o caso da companhia aérea Brussels Airlines, do grupo Lufthansa, em que estão em causa cerca de 3.000 voos quase vazios nesta temporada.

“De agora até março, temos que realizar 3.000 voos, principalmente dentro da Europa. Preferimos cancelá-los e eles também devem ser evitados em prol do meio ambiente”, afirma Maaike Andries, porta-voz da Brussels Airlines, citado pelo jornal The Brussels Times.

Andries disse que tanto os impactos ecológicos quanto os benefícios financeiros são levados em consideração antes que a Brussels Airlines programe um voo.

A verdade é que menos pessoas estão a voar do que era esperado nesta temporada de inverno, como resultado da rápida disseminação da variante ómicron. Mas, em vez de cancelar voos, as companhias aéreas – incluindo a Brussels Airlines – terão que programar milhares de “voos fantasmas” apenas para manter os seus slots.

O Grupo Lufthansa, do qual a Brussels Airlines é uma subsidiária, disse que cancelará 33.000 voos, mas planeia agendar outros 18.000 até o final de março, apenas para manter seus slots.

Após o início da pandemia, os reguladores europeus suspenderam temporariamente as regras existentes para o uso das slots, que exigiam que as companhias aéreas operassem 80% dos slots, sob o risco de perdê-las. A utilização mínima de 80% foi reduzida para 50% no verão de 2021 até março de 2022.

Agora a Comissão Europeia decidiu que a partir de março de 202 essa percentagem sobe para 64%. Perante esta decisão, o ministro belga escreveu à Comissária Europeia para os Transportes, Adina Vălean, para manter o limite de 50% até a temporada de verão de 2022, visto que a Europa ainda está a lutar contra a pandemia.

Georges Gilkinet classificou a decisão de “completamente incompreensível do ponto de vista económico e ambiental”.

“A manutenção das regras atuais leva a situações insatisfatórias, em que as companhias aéreas têm que voar vazias e incorrer em custos elevados e desnecessários. Isso se soma à receita perdida por ter menos passageiros.” Gilkinet acrescentou que a poluição em grande escala criada por esses voos é “contraditória com os objetivos climáticos da UE”.

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