Sexta-feira, Novembro 26, 2021
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Eleições AHETA: “Não tenho qualquer medo, nem qualquer agenda escondida”

O antigo presidente da Região de Turismo do Algarve e empresário hoteleiro, Hélder Martins, anunciou na semana passada que é candidato à presidência da direção da AHETA – Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, cujas eleições estão previstas para 7 de janeiro. Em entrevista ao TNews, Hélder Martins conta o que o motivou a aceitar o convite por parte dos atuais vice-presidentes e alguns associados para constituir uma lista. No entanto, a candidatura não está a ser pacífica. Hélder Martins diz não ter acesso à lista dos atuais associados e aponta o dedo ao atual presidente. Garante ainda que, se for eleito, vai propor a mudança de estatutos para limitar o número de mandatos.

O que o motivou a apresentar uma candidatura à AHETA?

O que me motivou, em primeiro lugar, foi um convite apresentado por todos os vice-presidentes da AHETA e por alguns associados que me disseram que, numa tentativa de revitalização da AHETA, o meu nome tinha surgido na mesa e tem sido consensual entre todos os diferentes intervenientes. Não estando hoje muito ativo nestas atividades, é um orgulho muito grande para mim. Por outro lado, tenho todas as condições, como qualquer outro cidadão, para ser candidato à AHETA. Sou cidadão português, tenho uma unidade hoteleira, portanto, posso ser candidato à AHETA. Já trabalhei com muitos destes players, nos tempos da Região de Turismo e outros, tenho uma experiência de trabalho com eles. Posso constituir essa motivação extra que toda a gente está à procura para um trabalho de união dos associados e daqueles que querem ser associados e não têm sido por força de algum imobilismo recente da associação. Conjugando estes fatores todos, e depois de ter ponderado, disse que sim.

É associado da AHETA?

Ainda não sou. Deu entrada um pedido meu de inscrição, mas que ficou “no congelador”. Não foi presente a uma reunião que houve onde poderia ter sido aprovada. Não tenho de ser associado. Irei ser apresentado por uma empresa, da qual sou gerente, mas também recordo que, o atual presidente há mais de 15 anos que não tem nenhuma empresa, nem nenhum hotel, e também é presidente da AHETA. Portanto, qualquer empresa pode indicar um representante, essa empresa é que tem de ser associada e, com base nisso, esse presidente pode ser eleito, que é o meu caso.

“A AHETA é hoje uma associação de um homem só”

Se o convite partiu dos vice-presidentes da direção da AHETA, esta candidatura é uma rutura com o atual presidente?

É de rutura com o atual presidente e com o que existe. Convém recordar – não conheço todos os detalhes, conheço aquilo que tenho ouvido – que há uns meses, o presidente da AHETA demitiu-se na sequência de umas declarações que os vice-presidentes não se reviram. Houve um acordo entre todos que a direção continuaria até às próximas eleições. Segundo me dizem as oito pessoas da direção, e tenho todas as razões para acreditar, esse acordo previa que, nesta eleição, o atual presidente da AHETA passaria para presidente da Assembleia-Geral. Chegados a essa fase, não houve acordo entre todos os vice-presidentes, o presidente da Assembleia Geral, do Conselho Fiscal e o atual presidente da AHETA. Portanto, o meu nome representa uma rutura com o status quo, mas quero fazer essa rutura com o setor unido. Portanto, estou a construir uma lista. Quero, no entanto, deixar aqui um ponto importante:  Tenho muitos anos de associativismo e outras atividades, mas nunca vi uma eleição como esta. É público que sou candidato, mas não sei quem são os associados da AHETA. A AHETA é hoje uma associação de um homem só, nem os vice-presidentes tiveram acesso a essa lista de associados. A única forma de contactar com os associados é através desta entrevista. É normal, quando estamos a concorrer, que ambos os candidatos tenham igualdade de circunstâncias. O atual presidente pode utilizar a lista e eu não posso. Espero que esta questão possa ser corrigida.

Como é que tem feito?

Tenho recorrido a pessoas que sei que são associados, perguntando quem são os outros associados. Vou, como se diz no Algarve, às apalpadelas, à procura de quem são os associados.

Sabe quantos associados são?

Tenho ideia que serão na ordem das duas centenas. Sei que há associados em que um único associado tem 8 ou 10 hotéis, é o caso do grupo Pestana. A questão do direito de voto tem a ver com o número de contribuintes. Se houver dez unidades hoteleiras com o mesmo número de contribuinte, é um voto. Se houver dez unidades hoteleiras com dez números de contribuinte terá dez votos.

“Irei propor que a AHETA seja um instrumento de diálogo e pressão sobre aquilo que são os interesses de todos os associados do Algarve” 

Já tem a lista dos órgãos sociais fechada?

Não, ainda está em construção, porque gostava de perceber quem são os associados. Tenho já um draft da lista com muitos lugares já preenchidos, mas pedi às pessoas com quem tenho trabalhado que não fechássemos a lista ainda, porque, depois de ter a noção dos associados ativos, quero fazer uma lista que tenha a abrangência territorial e das atividades. Este é um dos temas que, o ainda presidente, indica, ou seja, há 26 anos que a AHETA tem na direção alguns dos grupos hoteleiros que estão no Algarve. São grupos nacionais, mas que dão um peso muito importante à AHETA. Como houve uma rutura entre o presidente e os vice-presidentes, ele agora acha que esses grupos são ‘papões’, querem acabar com a AHETA e incluir na AHP [Associação da Hotelaria de Portugal]. Portanto, o que quero é construir uma lista em que metade dos oito vice-presidentes sejam grupos hoteleiros regionais, a que acresce o presidente. Ou seja, na lista ficarão sempre mais elementos regionais do que nacionais. Além disso, como se sabe, em decisões importantes, o presidente tem voto de qualidade o que diria que num caso máximo de dez votos, os regionais teriam seis.

O que o atual presidente da AHETA irá apresentar, penso eu, se for candidato, será uma lista em que exclui completamente os grupos nacionais. A AHETA sem os grupos nacionais será um Ahetazinha, porque os grupos nacionais dão muito peso à direção da AHETA, mas não podem ser só os grupos nacionais em maioria.  Queria dar nota que trabalhei muitos anos com estes grupos e nunca senti, em momento algum, nem sinto agora, que haja qualquer agenda escondida por parte destes representantes. Sempre defenderam o Algarve e aquilo que é o seu negócio no Algarve, deixando para outras mesas de trabalho o que é o seu negócio em Lisboa, na Madeira ou no resto do país. Não existe nenhum ‘papão’. Os grupos são importantes, são grandes empregadores e têm milhares de quartos, mas também são importantes os hotéis como o meu, com vinte e poucos quartos. Portanto, a realidade entre estas diferentes ofertas é que faz uma AHETA forte.

Tudo o que são grupos hoteleiros de expressão nacional estão na minha minha base de apoio.

Os vice-presidentes que fizeram o convite para ser candidato vão a integrar a direção da sua lista?

Sim, a maior parte deles. Os que não integrarem a direção é por falta de tempo e integrarão outro órgão. Tenho hoje a totalidade dos vice-presidentes a trabalhar comigo.

O que é que os associados podem esperar desta nova direção e em quê que ela difere da atual?

Irei propor que a AHETA seja um instrumento de diálogo e pressão sobre aquilo que são os interesses de todos os associados do Algarve. Tendo na minha lista diferentes áreas de negócio, da hotelaria à animação e imobiliária turística, creio que podemos ter uma posição abrangente nesse sentido, coisa que hoje não se tem passado. Por outro lado, ser um parceiro nos contactos com várias entidades regionais, públicas e privadas, outras associações, sempre disponível para “ir à mesa”. Recordo apenas que, é incrível que hoje a AHETA não faça parte da Confederação do Turismo de Portugal. A AHETA saiu da CTP enquanto dirigente. Portanto, com uma base de diálogo e de apresentação das nossas posições reivindicativas, mas não de uma forma excessivamente agressiva, queremos estar na mesa de trabalho dos diferentes players que decidem sobre isto. É evidente que os temas são há muito tempo discutidos: a questão da TAP, das portagens, do Hospital Central. São um conjunto de temas que estamos a arrumar no programa que vamos apresentar. Julgo que a nossa capacidade e a minha capacidade de intervenção nesta matéria fará, com certeza, a diferença. Conto com estes diferentes players que estarão comigo, porque não sou pessoa de tomar uma decisão sozinho, sempre gostei de decidir em colégio com as pessoas que me acompanham. Conto estar na primeira linha, tenho tempo total para dar à AHETA, utilizando todo o know-how dos diferentes players do setor para estar no terreno. Não é isso que se tem passado nos últimos tempos.

Existem várias associações empresariais no país: AHP, APHORT, AHETA, AHISA. Não considera que são demasiadas associações? Qual é a sua leitura?

O Algarve tem uma expressão muito significativa nesta matéria em contexto nacional. A pergunta que me está a fazer pode fazê-la no contexto regional. Tem havido até aqui diferentes abordagens ao tema. Manifesto total abertura para o fazer, mas apenas após ser eleito e se merecer a confiança dos associados da AHETA, estarei disponível para trabalhar nele. Não faz sentido aquilo que se passa hoje no Algarve de haver múltiplas associações. Já no contexto nacional, penso que faz sentido, porque são associações abrangentes, mas o Algarve é uma região à parte nesta matéria e tem que ter a sua própria associação. A AHETA é uma entidade regional e não pode deixar de o ser. O que existe hoje, por parte de vários parceiros, e no meu caso se for presidente da AHETA, é uma vontade de trabalhar no sentido do Algarve ter uma voz forte nessa matéria. Seja ela só a AHETA ou a AHETA com os parceiros, mas nunca um desaparecimento do que é a massa crítica regional com a integração numa entidade nacional.

Portanto, refuta a ideia da integração da AHETA na AHP, por exemplo?

Isso é um tema que só existe na cabeça do senhor Elidérico Viegas. Os mesmos senhores que ele diz agora que querem fazer essa integração têm sido vice-presidentes dele há 25 anos. Pergunto: Será que agora, ao fim de 25 anos, mudaram de opinião? Connosco não haverá nunca a integração da AHETA onde quer que seja. Estamos disponíveis para trabalhar, mas é um trabalho que não se faz de um dia para o outro.  Estou disponível para me sentar à mesa no dia a seguir às eleições e estudar com os diferentes players nacionais qual é a possibilidade de agregação que temos para sermos mais fortes. Dizer que vai deixar de haver a AHETA, AHISA ou outra associação qualquer e que vai estar tudo numa associação nacional, nem pensar. O Algarve tem sido muito marginalizado e tem de ter uma voz forte para defender os interesses da região e nunca integrado noutra estrutura.

“sou candidato a um mandato de três anos à AHETA e o meu objetivo, no máximo, será fazer dois mandatos”.

Qual é a real situação das empresas hoteleiras no Algarve?

A situação no pós layoff e moratórias é de certeza complicada. Há muitas empresas que já ficaram pelo caminho e outras não sei como vão sobreviver. Porque, a partir do momento em que deixou de haver moratórias, muitas entidades, nomeadamente da Banca, descartaram o problema. O Governo, com certeza, estará atento a esta matéria – uma das primeiras medidas que faremos será pedir uma reunião à tutela. As empresas estão claramente descapitalizadas. Continuamos a pagar os mesmos impostos que pagaríamos se a vida tivesse corrido normalmente. Houve algumas benesses, se não tivesse havido, se calhar teríamos caído todos e não caímos, conseguimos manter-nos, mas aquilo que foi uma lufada de ar fresco que veio com o verão, é apenas uma brisa. Creio também que todos seremos razoáveis e conscientes para sabermos que este setor é demasiado importante e com milhares postos de trabalho, e que, se tiver um queda grande, não é só o setor que cai, cai o Algarve todo.

Quando vai apresentar a lista final e o programa?

O programa está quase construído e eu estou desejoso de apresentar a minha lista. As eleições estão previstas para 7 de janeiro, mas as listas têm de ser apresentadas quinze dias antes. Queria apresentar antes disso, mas tenho de ter uma lista de associados. Enquanto não tiver, duvido que consiga fazê-lo. O atual presidente utilizou o estratagema de pedir um parecer à comissão de Proteção de Dados se podia dar a lista. No entanto, ele está a utilizar a lista, como um candidato igual a mim, portanto há aqui uma dicotomia, em que um tem tudo e outro não tem nada. Numa reunião ontem [dia 23 de novembro] os vice presidentes decidiram – porque têm legitimidade para isso – que fosse entregue a lista. Não sei se vai ser. Penso que não. Portanto, gostava de aproveitar esta entrevista para pedir aos associados que leiam, que me contactem através do telemóvel 964 222 000 ou do email heldermartins.2022@gmail.com, porque gostaria de contactar com todos e falar com um a um. Esta é uma situação que antes do 25 de abril se passava, acreditava que, em democracia, já não se passaria, mas está a passar-se na AHETA. Hei-de apresentar a lista muito brevemente. Se não tiver acesso à lista dos sócios, terei de construi-la sem isso.

Se for eleito pretende candidatar-se a outros mandatos?

A minha visão sobre esta matéria é que sou candidato a um mandato de três anos à AHETA e o meu objetivo, no máximo, será fazer dois mandatos. Quero propor, assim que chegar à AHETA, uma revisão dos estatutos para permitir isso. Os estatutos bloqueiam tudo. O presidente da AG, que é a principal entidade da associação, só pode marcar eleições depois da direção lhe pedir, que é uma coisa que não se passa em parte nenhuma. Se o presidente da República só pode fazer dois mandatos e se o presidente de Câmara só pode fazer três, porquê que o presidente da AHETA pode fazer 20? Não faz sentido. Penso apresentar uma revisão de estatutos exatamente para blindar isso. Até aqui tem sido sempre assim, isto é visto quase como uma empresa privada e um emprego para a vida. Não tenho esse conceito. O meu conceito é associativismo e o associativismo deve ter rotação. Há qualquer coisa de estranho aqui. Qualquer cidadão, mesmo alheio a este processo, perceberá que se uma direção tem 9 pessoas e há oito que saem, talvez o mal não esteja nos oito. Agora, como é que posso ser candidato se não tenho uma lista de associados, não sei quem tem as quotas em dia? Parece-me que há aqui um clima de muito medo da parte do senhor Elidérico Viegas que tenha acesso a estas coisas. Não tenho qualquer medo, não tenho qualquer agenda escondida, e não serei candidato a mais nada. Fiz coisas que me deram muito prazer na vida: ser presidente da Região de Turismo do Algarve foi uma delas. Estava perfeitamente no meu cantinho a desenvolver um projeto privado, tenho outro projeto em curso neste momento também nesta área. Fui convidado, e sendo convidado para um desafio destes, não disse que não.

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