As perturbações no espaço aéreo do Médio Oriente estão a provocar cancelamentos e constrangimentos operacionais nos principais ‘hubs’ da região, com reflexos também em passageiros portugueses. O TNews ouviu operadores turísticos e redes de agências nacionais, que confirmam clientes afetados na região do Golfo, sobretudo no Dubai, mas admitem que ainda é “prematuro” avaliar o impacto nas vendas.
Desde sábado, mais de 11 mil voos para, de e dentro do Médio Oriente foram cancelados, afetando mais de um milhão de passageiros, segundo dados da Cirium. Só esta segunda-feira, mais de 90% das partidas previstas no Dubai e mais de metade em Abu Dhabi estavam canceladas, de acordo com o FlightAware. O encerramento total ou parcial do espaço aéreo em países como Irão, Iraque e Israel, bem como restrições noutros mercados da região, está a condicionar a operação de companhias como a Emirates, a Etihad Airways e a Qatar Airways, centrais nas ligações intercontinentais.
Operadores gerem clientes afetados e aguardam evolução da crise

Para Nuno Mateus, CEO da Solférias, ainda é cedo para avaliar consequências estruturais no mercado. “Acho que ainda é um bocado precoce para nós estarmos a conversar. É claro que tem implicações, como é evidente, tem implicações, não há como fugir, mas tudo dependerá do tempo que esta operação demorar”, afirma. O responsável sublinha que a duração da crise será determinante: “Não é positivo, não é nada positivo. (…) O que mais importa é se isto é uma operação curta ou longa, e isso sim fará toda a diferença.”
Questionado sobre clientes afetados, confirma que existem alguns casos, “mas não é nada do outro mundo nesta altura do ano. Se fosse Páscoa seria pior”, refere, acrescentando que as situações dizem sobretudo respeito a companhias aéreas dos Emirados Árabes Unidos, como a Etihad Airways, a Emirates e a Qatar Airways.
Também no Grupo Ávoris há registo de passageiros no Dubai, através da Catai. “A Catai tinha alguns passageiros no Dubai que ainda lá estão, mas está tudo perfeitamente controlado. Não temos problemas absolutamente nenhuns”, afirma Constantino Pinto, diretor comercial da Tour Operação. Quanto a números, indica: “Tínhamos, se não estou em erro, 12 [clientes portugueses]. Andará à volta disso (…). É muito pouca gente e é uma situação que está perfeitamente controlada.”
Na Soltrópico, Daniel Graça diz que, para já, o impacto comercial não é significativo, mas admite possíveis efeitos no curto prazo. “Para já ainda não o estamos a sentir mas acredito que poderá ter impacto a curto prazo nas vendas nos produtos de longo curso.” O diretor comercial refere que o operador também tem alguns clientes afetados: “Temos clientes em Zanzibar que iriam regressar via Dubai mas que infelizmente tiveram de ficar mais noites no destino. Neste momento já têm voo reagendado e devem regressar com tranquilidade.”
A Lusanova, por sua vez, não regista para já “qualquer situação relevante” nas suas operações. Tiago Encarnação, diretor de operações, refere que “as viagens programadas para os próximos dias, com destino ao Médio Oriente ou com passagem por hubs na região, estão a ser pontualmente reajustadas”, acrescentando que não há, até ao momento, clientes portugueses impactados por “cancelamentos ou alterações de voos nesta região”.
Já a World2Meet (W2M), que integra os operadores Newblue, Icárion e Kannak, confirmou ao TNews esta segunda-feira que a escalada do conflito levou a uma “paragem de vendas” da Icárion durante a BTL, concentrando a operação em “repatriar e arranjar soluções para todos os clientes”. Duarte Correia, country manager em Portugal, admitiu que há “muitos” viajantes afetados por cancelamentos e que a prioridade passou a ser o repatriamento, numa situação que classificou como “um tormento”, ainda que assegure que, no caso dos turistas portugueses a viajar com a Icárion, as situações estão salvaguardadas.
Agências reforçam contacto com clientes e ajustam reservas

Na Bestravel, o impacto nas vendas ainda não é visível. “Esta perturbação numa parte do Médio Oriente foi demasiado recente para se ter já sentido o impacto nas vendas”, explica Ricardo Teles, diretor operacional da rede, recordando que a BTL decorreu recentemente com “resultados bastante positivos”. Ainda assim, admite que poderá haver ajustamentos: “É natural que venha a existir algum impacto e alguma alteração nos destinos escolhidos, bem como a necessidade de realocar algumas reservas já existentes, mas só saberemos os reais impactos mais à frente.”
A rede confirma clientes no destino. “Temos clientes da Bestravel que estavam nesta altura no Dubai, quer em hotel, quer em cruzeiro [no MSC Euribia] e cujas situações estamos a acompanhar a cada momento, à procura das melhores alternativas de saída. Todos os clientes estão bem e tranquilos e em contacto constante com as nossas agências”, assegura. Para quem tinha partidas previstas, estão a ser propostas alternativas “seja de destino, seja de datas”.
Quanto às recomendações às agências, Ricardo Teles sublinha que estas foram informadas “desde a primeira hora” sobre os procedimentos a adotar, consoante se trate de clientes no destino, em escala ou com viagem marcada, mantendo uma articulação próxima com “companhias aéreas, operadores e parceiros de seguros”.
A Airmet confirma igualmente reservas impactadas por escalas na região. “Algumas reservas com voos que faziam escalas em hubs do Médio Oriente foram efetivamente afetadas por cancelamentos ou alterações de horários”, explica a diretora-geral, Susana Fonseca, apontando itinerários com passagem por Dubai, Doha ou Abu Dhabi. Nestes casos, “as alterações implicam reencaminhamentos por outros aeroportos ou negociações de reembolso/remarcação com as companhias”.
No entanto, Susana sublinha que o impacto direto ainda “é limitado e não se traduz num decréscimo significativo nas vendas gerais, porque os principais mercados e destinos que trabalhamos continuam fora da zona de conflito e a procura por viagens persiste”. A responsável acrescenta que os clientes estão “bem informados” e acompanham de perto os desenvolvimentos, e que muitos optam autonomamente por ajustar os planos e procurar destinos alternativos que evitem escalas ou passagem por países do Médio Oriente.
Às agências da rede, a Airmet recomenda a monitorização constante dos avisos oficiais, referindo a necessidade de “contactar atempadamente as companhias aéreas, manter os clientes informados e flexíveis nas suas reservas e aconselhar os clientes a não se deslocarem aos aeroportos sem confirmação do voo”.
A Abreu também confirma clientes na região e com viagens programadas. “Desde o primeiro momento, temos trabalhado em articulação com companhias aéreas e parceiros locais para assegurar os seus regressos, mas também para oferecer alternativas seguras a quem pretende alterar os seus planos”, sublinha o diretor-geral de vendas da agência, Pedro Quintela. O responsável acrescenta que ainda é “prematuro falar de impacto efetivo nas vendas, uma vez que estamos sobretudo concentrados em prestar apoio aos clientes e acompanhar as indicações das entidades competentes”.
Também as Viagens El Corte Inglés admitem ocorrências pontuais. “Temos alguns casos que estão a ser geridos desde do fim de semana com os clientes e com os nossos fornecedores”, refere o diretor-geral, Ricardo Cardia, sublinhando que a empresa está a acompanhar a situação.
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