Quinta-feira, Setembro 29, 2022
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StayUpon Hospitality: O grupo que não tem medo de investir onde ainda não existem hotéis

O que têm em comum Alcochete e o Seixal, além de serem dois concelhos da Área Metropolitana de Lisboa? Para o StayUpon Hospitality Group têm muito, já que é nestes destinos que estão três dos seus projetos hoteleiros: o Praia do Sal Resort, em Alcochete, em operação desde 2018; o hotel Al Foz, também em Alcochete, que está atualmente em remodelação; e o Hotel Mundet, no Seixal, que está agora a ser construído. Os dois destinos não estão nos holofotes do turismo, mas estão suficiente perto do centro urbano de Lisboa, para serem casos de sucesso.

A aposta nestas duas localizações não foi por acaso, como conta Cécile Gonçalves, administradora do StayUpon Hospitality Group, empresa que integra o grupo imobiliário Libertas.

“O grupo tem uma raiz imobiliária e, efetivamente, são destinos que conhecemos muito bem desde há 20 anos”, começa por dizer. “Temos um olhar um pouco diferente de um português tradicional, porque sabemos que o turismo de natureza é importante. Os ‘repeaters’ procuram experiências diferentes e, portanto, julgamos que tanto Alcochete como o Seixal trazem esse turismo diferente, mas muito perto de Lisboa”, complementa.

O facto de terem uma raiz imobiliária permitiu identificar boas oportunidades, reconhece Cécile Gonçalves. Foi o que aconteceu quando compraram, há 14 anos, o terreno onde construíram o Praia do Sal Resort: “Encontrar um projeto turístico à beira do rio, sem estrada, com vista direta para o rio é raro. Vimos que esta zona tinha muito potencial”, recorda.

Cécile Gonçalves faz um balanço positivo desde que o resort abriu em 2018: “Tínhamos o desafio de pôr Alcochete no mapa e penso que temos conseguido. A nível nacional, o trabalho nas redes sociais foi muito importante. Ao nível internacional, ainda temos essa frente para desenvolver, embora tenhamos já repetentes do mercado francês”, refere.

Dependendo do ano, o resort tem diferentes mercados. “Durante o verão temos uma grande procura dos portugueses. Somos quase o destino algarvio desta zona”, afirma. Por sua vez, têm tido também cada vez mais mercado proveniente das empresas da zona, aponta a administradora, recordando a plataforma logística existente em Alcochete. “Temos a grande vantagem de ter apartamentos, para quem vem trabalhar é mais cómodo que um quarto”. O resort tem uma oferta de spa, segmento no qual quer apostar, assim como nos incentivos.

Para Cécile Gonçalves, o mais importante – e que poderá fazer a diferença – é a aposta em parcerias locais. “Não queremos apenas que as pessoas entrem e fiquem no resort. Alcochete tem esse lado genuíno, tem tascas, salinas, reserva natural, percursos de bicicleta, há muito para fazer. Queremos que as pessoas vivenciem isso”.

Em 2022, a administradora acredita que o resort vai receber mais turistas estrangeiros, e, apesar da guerra trazer algumas incógnitas, Cécile Gonçalves julga que Portugal pode vir a ser procurado pelos turistas internacionais em detrimento de outros destinos, como o Chipre ou a Grécia. “Já começamos a ter uma procura de estrangeiros e já temos taxas de ocupação para o verão. As pessoas já estão a sentir que se calhar o last minute já não será uma boa aposta”, refere.

No ano passado, o Praia do Sal Resort registou uma receita em alojamento de 1 milhão de euros e uma taxa média de ocupação de 27%, que “reflete a sazonalidade”.

“Estamos em crescimento e penso que vamos ultrapassar os números de 2019, mas também porque temos mais ofertas, em 2019 não tínhamos o aparthotel” afirma, destacando o facto de não terem fechado os hotéis durante a pandemia, o que “trouxe uma habituação das pessoas, que souberam que não estávamos fechados e arrancámos muito rapidamente”.

Novos investimentos

No centro de Alcochete, o StayUpon Hospitality Group tem em remodelação o seu hotel Al Foz, que vai passar de três para quatro estrelas e aumentar a sua oferta de 36 para 88 quartos no próximo ano. A obra contempla ainda uma piscina coberta no rooftop. “Era mesmo necessário fazer estas obras e aumentar a capacidade do hotel”, refere Cécile Gonçalves. O investimento nesta remodelação é de 4,7 milhões de euros, dos quais 2,2 milhões foram coparticipados pelo Portugal 2020.

Questionada sobre o conceito que vai nascer no Al Foz, a responsável explica que vai ser um hotel “moderno, despretensioso, com materiais portugueses, enquadrado dentro da Alcochete”, onde o grupo tem também um clube náutico. O lobby contará com um espaço aberto de co-living e cozinha partilhada.

No município do Seixal, o StayUpon Hospitality Group prepara um investimento de 20 milhões de euros para transformar a antiga fábrica Mundet – uma das maiores transformadoras de cortiça em Portugal – num aparthotel de quatro estrelas com 94 apartamentos turísticos, 46 studios, 26 T1, 10 T2 e 12 T3, que totalizam 248 camas.

A previsão de abertura é no final de 2023. Cécile Gonçalves diz que vão ser precisos dois anos para concluir a obra, porque, além de ser “um projeto complexo”, há que contar com escassez de material e a logística que a pandemia trouxe. O conceito do hotel “é particular”, descreve, afinal trata-se de uma antiga fábrica, com uma relação com a zona ribeirinha da baía do Seixal. “Queremos trazer para o hotel a história, não só da cortiça, mas também das pessoas que lá trabalharam, através do espólio da câmara e do trabalho de uma historiadora”.

A fábrica Mundet fechou em 1987, mas os seixalenses continuam a ter uma relação afetiva ao lugar e muitos, ou praticamente todos, têm amigos ou familiares que lá trabalharam e, também por isso, o grupo quer construir uma unidade aberta à comunidade. A oferta do aparthotel é composta por um restaurante/hall com 400m2 “muito trendy”, uma piscina e bar no rooftop com as dimensões da existente no Upon Lisbon Prime Residences [unidade que o grupo tem em Lisboa], mas com uma separação entre os dois espaços.

“O Seixal não tem oferta hoteleira agora e tem um tecido industrial importante, e uma relação com o rio – têm um projeto interessante de barcos que vão ligar Lisboa e Seixal, além da Transtejo. Quando abrirmos é capaz de haver já barcos-taxi”, adianta Cécile Gonçalves.

Na região Sul, compraram um terreno na Praia de Albarquel, à saída de Setúbal em direção à serra da Arrábida. “Tem uma vista de 180º, mesmo à beira da praia. Penso que este ano, vamos decidir o que fazer. Será para finalidade turística, mas não sabemos se vamos fazer um hotel ou aparthotel, tem áreas ajardinadas e com acesso á praia. Vamos ter também, provavelmente, um terreno na Figueira da Foz, no lado de Buarcos, é um projeto que vai amadurecer ainda este ano”, refere a responsável. Com uma forte ligação ao Algarve, região onde têm “muitos projetos”, Cécile Gonçalves aponta ainda a Praia dos Tomates, entre Albufeira e Vilamoura: “Temos vários terrenos e penso que vamos tentar desenvolver hotéis rurais, mas à beira da praia. Já temos um restaurante a funcionar e é um projeto que se enquadra tanto ao nível imobiliário como turístico. Não queremos ter uma unidade de 300 quartos. Queremos fazer um destino tailor made e trazer uma experiência diferente”.

A administradora não tem dúvidas que a aposta no turismo é para continuar e equaciona a gestão de unidades hoteleiras. “O que sinto hoje em dia é que já temos uma estrutura com valências para desenvolver projetos. Até agora ainda não o fizemos, mas já fomos abordados para fazer a gestão de unidades. Porque não? Sinto que já temos uma estrutura robusta para o fazer. Somos uma equipa muito jovem, entusiasta e é um prazer acompanhar o crescimento da empresa”, afirma Cécile Gonçalves.

“Não queremos fazer projetos sempre iguais. O que precisamos na realidade é oferecer um bom destino, com uma boa experiência, e dar a descobrir Portugal e esse lado genuíno a quem nos visita, mostrando que não somos só Lisboa”, defende.

Questionada sobre que caraterísticas os hotéis deveriam ter para que o StayUpon Hospitality pudesse fazer a gestão, Cécile Gonçalves afirma: “Têm de ter uma identidade própria, não queremos fazer parte de uma cadeia muito padronizada e também têm de ter uns proprietários com vontade de fazer algo particular e fazer algo tailor made”.

A localização também é importante. “Não diria que estamos dispostos a ir para localizações de serra. Não é o nosso ADN, a nossa equipa é mais urbana. Não neste momento, quem sabe daqui a quatro anos, conforme a evolução”, admite.

Aparthotel em Lisboa

No final deste ano, o grupo vai aumentar a sua presença em Lisboa. Ao aparthotel Upon Lisbon Prime Residences, em Benfica, vai juntar-se um aparthotel com 48 unidades de alojamento de tipologia T1 e T0, na Rua dos Anjos, no bairro do Intendente, que prevê ter também uma pequena área de piscina/jacuzzi no interior.

Sobre o conceito, Cécile Gonçalves explica que foi inspirado no ambiente do bairro. “O que sabemos é que a rua dos Anjos e toda a zona do Intendente tem esse fervilhar, um pouco alternativo, e, por isso, não vamos fazer algo muito tradicional, queremos fazer um hotel para adultos, estamos agora a afinar o conceito. Queremos que o lado tendencioso da rua venha para o hotel, mas sem vulgaridade, sendo chic. Para esta unidade, cujo investimento é de sete milhões, o grupo está a trabalhar com o design de interiores de Mariana Torrão e a empresa ARTEO, um estúdio de design iconográfico especializado no uso de imagens na decoração de interiores e no design, tendo já desenvolvido projetos para os grupos Accor e IHG.

Este ano, o grupo espera faturar entre 7 a 8 milhões de euros. “Será mais ou menos o mesmo que em 2019, mas em 2019 não tínhamos esta oferta”, diz Cécile Gonçalves. A responsável considera que os maiores desafios da hotelaria em Portugal são a racionalização dos custos e também a produtividade, “mas isso é um desafio de forma geral em Portugal”. No campo da promoção, “há todo um mercado asiático para desenvolver”, defende em contraponto com a América Latina , “onde estamos bem posicionados”, e cada vez mais os EUA. “Espero que [este mercado] retome, sentimos já vários americanos e canadianos a virem às nossas unidades”. “Depois é preciso, sobretudo em Lisboa, trazer um turismo diferente e não concentrar tudo no centro turístico”, conclui.

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