Quarta-feira, Novembro 30, 2022
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Jovens pelo mundo: Daniel Martins, o jovem de 22 anos que é estagiário num hotel de 5 estrelas em Creta, na Grécia

Daniel Martins é um jovem de 22 anos do Cacém que terminou, em 2021, uma licenciatura em Gestão Turística, na Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e que está, desde o ano passado, a fazer um mestrado em Marketing e Promoção Turística, na Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, em Peniche. A vontade de ter uma experiência de trabalho no estrangeiro, aliada aos salários mais altos fora do país e ao desejo de viajar, levaram Daniel Martins até à ilha de Creta, na Grécia, onde está a trabalhar como empregado de mesa no Blue Palace, a Luxury Collection Resort and Spa, uma unidade hoteleira de cinco estrelas do grupo Marriott.

No ano em que terminou o ensino secundário, os colegas de Daniel ingressaram na universidade, mas o jovem teve de adiar para o ano seguinte a entrada no ensino superior porque não conseguiu concluir a disciplina de matemática. “Ainda bem que fiquei com matemática por fazer, porque se tivesse ido nesse ano para a faculdade tinha tomado uma decisão precipitada”, admite. No ano em que esteve a terminar a disciplina, conversou com colegas que já estavam na universidade para obter mais informações sobre os cursos que tinham escolhido. “Fui pesquisar e acabei por descobrir a Escola Superior de Hotelaria e de Turismo do Estoril e percebi que era uma escola bastante reconhecida em Portugal. Fiquei logo interessado porque é uma área relacionada com a gestão e porque o turismo é o setor que mais contribui para a economia do país. Era um miúdo de 18 de anos e pensei, ingenuamente, que ia encontrar facilmente trabalho na área”, admite.

Daniel Martins na ilha de Creta

Trabalhou no restaurante Mestrias Nova Tasca, em Belém, enquanto esteve a tirar a licenciatura e, no final do curso, estagiou no Aqualuz Troia Resort, no departamento de receção e guest relations. Quando começou a trabalhar na área e a descobrir mais sobre a indústria turística, percebeu que queria ir trabalhar para o estrangeiro. “Alguns colegas que fizeram a licenciatura comigo optaram por não fazer mestrado. Foram trabalhar para o estrangeiro e adoraram. O salário que recebiam nesses países, nomeadamente na Suíça, era muito superior ao que iriam recebem em Portugal para a mesma função”. A sua decisão não se baseou apenas nos salários, mas também porque queria ter uma experiência profissional noutro país, “que é benéfica tanto para o currículo como para aprender novos métodos de trabalho”, explica Daniel.

Outro dos motivos para querer sair do país foi a vontade de viajar e de explorar novos destinos. “Ir de férias para vários países diferentes é muito caro, por isso pensei: ‘Porque não ir trabalhar temporadas de quatro a seis meses para outros países?’ Assim, além de estar a viajar, estou a ganhar experiência e a receber mais dinheiro do que em Portugal”, questionou-se. “Consigo estar uns meses num país e ver tudo aquilo que um turista vê numa semana, mas também estou a ganhar dinheiro”, explica o jovem, que reconhece que juntou “o melhor dos dois mundos”.

Atualmente, Daniel Martins está – juntamente com outros seis colegas portugueses – a fazer uma temporada de três meses na ilha de Creta, na Grécia. É empregado de mesa no hotel Blue Palace, a Luxury Collection Resort and Spa, uma unidade hoteleira de cinco estrelas do grupo Marriott, em Elounda. O jovem descobriu este resort através de outros colegas que já tinham trabalhado anteriormente no hotel. “Não precisava de estagiar, mas como não me conheciam e para o processo ser mais fácil assumi que ia ser estagiário tal como os meus colegas, até porque para nós é mais benéfico. A União Europeia dá bolsas de Erasmus aos jovens que vão estagiar no mínimo três meses para fora do país”, conta Daniel.

Seis dos sete jovens portugueses que estão a estagiar na ilha de Creta, na Grécia.

“Ir de férias para vários países diferentes é muito caro, por isso pensei: ‘Porque não ir trabalhar temporadas de quatro a seis meses para outros países?’ Assim, além de estar a viajar, estou a ganhar experiência e a receber mais dinheiro do que em Portugal”.

“A função que vim desempenhar no hotel foi de empregado de mesa, porque na área que eu queria – de marketing, vendas ou eventos – pediam um estágio mínimo de cinco meses, o que não funcionava para mim porque acabei a faculdade em finais de junho e tenho de começar a tese do mestrado em setembro”, justifica. Daniel está há quase dois meses no destino e vai ficar mais um mês, até completar o estágio. Para o ano que vem, quando terminar o mestrado, planeia ir trabalhar na sua área para Amesterdão.

No Blue Palace trabalha oito horas por dia, cinco dias por semana e, além do salário base, também recebe gorjetas ao final do mês. “A gorjeta funciona por pontos, um estagiário recebe menos gorjeta do que um profissional, e um profissional recebe menos do que os managers”, esclarece. Daniel Martins vive num apartamento para o staff disponibilizado pelo hotel, que fica a cerca de 25 minutos do local de trabalho. O hotel também assegura autocarros, com vários horários diários, para os colaboradores irem e voltarem do trabalho.

Ilha de Creta, na Grécia.

Conhecer a cultura grega é um dos fatores que mais valoriza nesta experiência. “Os gregos são um povo um bocadinho preso a tradições, nós brincamos com eles e dizemos que são um povo mais antiquado do que nós. Ainda têm muito aquela ideia, por exemplo, de que os homens é que carregam as coisas pesadas e as mulheres ficam a limpar as mesas. Estou a valorizar conhecer a cultura grega, que tem muitos aspetos peculiares”, refere Daniel. O contacto com o público e o desenvolvimento de relações mais íntimas com os clientes é outro dos benefícios. O jovem de 22 anos recorda um cliente que conheceu no hotel. “Era professor de informática na Irlanda do Norte, gostou imenso de mim, quis tirar uma fotografia comigo e ainda me deu o seu e-mail”, relembra.

Daniel Martins; cliente irlandês que conheceu no hotel e a sua mulher; e outra jovem portuguesa que trabalha com Daniel no resort Blue Palace.

As maiores diferenças que encontra entre o mercado de trabalho na Grécia e o mercado português são os salários. “O hotel onde estou não trabalha com extras, todos os colaboradores têm contrato de trabalho e pagam melhor do que em Portugal. Um profissional B, que é a categoria mais baixa, recebe 950€ de salário base, o que penso que não aconteça em Portugal. E ainda recebe as gorjetas, que facilmente chegam aos 600€ por mês para um profissional B. Eu diria que genericamente os gregos pagam melhor e as gorjetas são muito boas”, finaliza.

“O hotel onde estou não trabalha com extras, todos os colaboradores têm contrato de trabalho e pagam melhor do que em Portugal”

*Durante as próximas semanas, iremos partilhar experiências de jovens portugueses a trabalhar no setor do turismo no estrangeiro.

Leia a história da Mariana, a jovem de 25 anos que é Island Host nas Maldivas; da Matilde, que estagiou no resort Bulgari no Dubai; da Marisa Brandão, a jovem que é estagiária em Las Palmas, nas Canárias; do Miguel Matos, um português que é Product Manager em Berlim; do André Coelho, um jovem que é rececionista de um hotel Luxemburgo; e do Pedro Gião, “commis chef” no hotel W Amesterdão.

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