Sábado, Novembro 26, 2022
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Jovens pelo mundo: Pedro Gião, o jovem de 23 anos que é “commis chef” nos Países Baixos

Pedro Gião escolheu os Países Baixos como a sua nova casa, há cerca de um mês. O jovem português de 23 anos, licenciado em Produção Alimentar em Restauração, pela Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, escolheu emigrar para os Países Baixos no final de julho de 2022, depois de ter passado cinco meses a trabalhar na Suíça. Atualmente, trabalha no W Amesterdão como “commis chef” e só equaciona retornar a Portugal se os salários no setor do turismo aumentarem.

Desde os seus 16 anos, Pedro ia todos os verões trabalhar durante alguns meses para o Reino Unido, no The Royal Oak, em Hurdlow Peak District, onde desempenhava funções de cozinheiro e de empregado de mesa. Entre o secundário e a universidade, decidiu fazer um ‘gap year’ e foi mais uma temporada de seis meses trabalhar para o Reino Unido.

Ganhou um “bichinho” pelo turismo quando esteve a trabalhar durante vários anos, nas férias de verão, no Reino Unido e foi devido a essa experiência que escolheu a área do turismo para o seu futuro profissional. “Ia para Inglaterra trabalhar no pub de um amigo do meu pai para ganhar uns trocos, mas comecei a gostar de estar na cozinha e comecei a subir dentro do estabelecimento. Foi aí que decidi estudar turismo”, conta Pedro Gião.

Terminou a licenciatura em Produção Alimentar em Restauração em 2021 e fez o estágio na cozinha do NAU Salgados Palace, no verão do ano passado. Enquanto esteve a estudar, também trabalhou como empregado de mesa no Mestrias Nova Tasca e fez catering no Estoril Open.

Da Suíça para os Países Baixos

Pedro Gião em Engelberg, na Suíça

Atualmente, está a trabalhar nos Países Baixos, próximo de Amesterdão. Voltou há pouco tempo da Suíça, onde fez uma temporada de cinco meses. “Toda a minha vida disse que quando acabasse o curso queria ir para fora, para ganhar outras noções, conhecer outras realidades e porque se recebe melhor. Escolhi a Suíça e fui para os Alpes, para uma terra chamada Engelberg, trabalhar para a cozinha do hotel Kempinski Palace, que tinha aberto há cerca de quatro meses”, conta.

Pedro encontrou trabalho na Suíça através do site Hotel Careers. Esteve no destino desde 28 de novembro do ano passado até 31 de abril de 2022. “Quando fiz a entrevista, a minha chefe disse que precisava de mim durante cinco meses, até ao final de abril, mas eu queria ficar mais tempo. Entretanto, os papéis inverteram-se e fui eu que quis voltar para Portugal porque a minha namorada não conseguiu trabalho na Suíça.”

O jovem recorda esses cinco meses, sublinhando que gostou “muito de todo o sistema suíço, em termos de impostos, a forma como operam é muito organizada e há muito poder de escolha. Gostei muito de lá estar e gostava de voltar”, admite.

Pedro retornou a Portugal em abril. A namorada do jovem, Rita Simões, também trabalha no setor do turismo, na área de Gestão Turística. Como não tinha encontrado oportunidade de trabalho na Suíça, decidiu rumar em direção a Praga, onde esteve até junho. O casal reencontrou-se nesse mês em Portugal. “Nós já tínhamos decidido que, quando ela voltasse, íamos sentar-nos e escolher um destino para onde pudéssemos ir os dois, para não estarmos separados”, revela.

“Toda a minha vida disse que quando acabasse o curso queria ir para fora, para ganhar outras noções, conhecer outras realidades e porque se recebe melhor”.

“Chegámos à conclusão de que a melhor escolha seriam os Países Baixos, porque a língua não seria um problema – desde que se saiba falar inglês encontra-se trabalho – é um país com boa qualidade de vida e os salários são mais altos”, conta, recordando que na altura foi à Booking.com procurar hotéis na área e de seguida candidatou-se nos sites dos hotéis que lhe despertaram mais interesse. Alguns hotéis responderam às candidaturas e Pedro Gião acabou por aceitar aquela que na altura lhe pareceu ser a melhor proposta, no W Amesterdão, marca hoteleira que pertence ao grupo Marriott. Começou a trabalhar no dia 1 de agosto, como ‘commis chef’, mas vai sair no final deste mês, porque “as funções que foram prometidas inicialmente não estão a ser cumpridas”.

Pedro Gião e a namorada Rita Simões, em Praga.

No início de setembro, Pedro vai trabalhar para o restaurante The Harber Club, no Apollo Hotel Amsterdam, um hotel de quatro estrelas em Amesterdão.

Conhecer novas pessoas e realidades é o que o jovem mais valoriza nas experiências de trabalho que está a colecionar fora de Portugal. “Continuo a manter contacto com pessoas que conheci em Inglaterra, na Suíça, no Algarve. É toda uma experiência estar a viver num país estrangeiro, com pessoas de todo o mundo”, menciona.

Voltar para Portugal não está nos planos futuros devido aos salários baixos

Segundo a perspetiva de Pedro, os jovens do setor estão a emigrar porque a área da hotelaria e do turismo não é atrativa em Portugal e os salários são baixos. “Não há pessoas para trabalhar em Portugal, porque ninguém quer trabalhar no nosso país. As pessoas da nossa idade conseguem ir trabalhar para fora e receber salários melhores, poupar mais, ter melhor qualidade de vida, por isso vão-se embora”.

Os salários altos e os horários de trabalho flexíveis são as maiores diferenças que encontra entre o mercado de trabalho holandês e Portugal. “Nos Países Baixos trabalho 38h por semana. Neste novo trabalho vou trabalhar 10h por dia, quatro dias por semana, para ter três folgas conjuntas. Os dias de férias também são diferentes, na Suíça tinha 35 dias de férias e aqui na Holanda tenho 25 dias”. Relativamente aos salários, Pedro explica que um salário em Portugal para a sua posição ronda os 800/900€, “aqui recebo um salário de 2300€ e pago menos impostos do que em Portugal”.

Voltar para Portugal não está nos seus planos futuros. O jovem de 23 anos só equaciona essa hipótese se os salários no país aumentarem e houver melhor qualidade de vida. Planeia ficar entre um a dois anos na Holanda, “mas gostava eventualmente de regressar à Suíça”, conclui.

“Não há pessoas para trabalhar em Portugal, porque ninguém quer trabalhar no nosso país. As pessoas da nossa idade conseguem ir trabalhar para fora e receber salários melhores, poupar mais, ter melhor qualidade de vida, por isso vão se embora”.

*Durante as próximas semanas, iremos partilhar experiências de jovens portugueses a trabalhar no setor do turismo no estrangeiro.

Leia a história da Mariana, a jovem de 25 anos que é Island Host nas Maldivas; da Matilde, que estagiou no resort Bulgari no Dubai; da Marisa Brandão, a jovem que é estagiária em Las Palmas, nas Canárias; do Miguel Matos, um português que é Product Manager em Berlim e do André Coelho, um jovem que é rececionista de um hotel Luxemburgo.

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