Licenciada em Gestão Hoteleira, na Universidade Europeia, e com um mestrado em International Hospitality Management, na Les Roches de Marbella, em Espanha, Rita Coelho é uma jovem portuguesa, de 26 anos, natural do Porto. Desde o final de agosto, está a estagiar no departamento de sales & marketing do Four Seasons Madrid, um hotel luxuoso de cinco estrelas, que abriu em 2020.
“Desde que comecei a licenciatura, sempre que pude durante o verão fui fazendo estágios extracurriculares e trabalhando em diferentes departamentos. No total foram cinco estágios e estou agora no sexto e último”, contou em declarações ao TNews. Rita Coelho fez o estágio final da licenciatura no The Yeatman Hotel, no Porto, no departamento de F&B. Após terminar a licenciatura em Portugal, em junho de 2021, partiu para Madrid para fazer um estágio extracurricular no Hotel Wellington Madrid, no departamento financeiro.
“Por norma os salários em Espanha são mais altos do que em Portugal, em todos os setores, não só na hotelaria”
Em setembro de 2021, ingressou na Les Roches, de Marbella, em Espanha, para estudar International Hospitality Management. O mestrado tem a duração de um ano e, no final do curso, existe um estágio obrigatório de seis meses. Rita Coelho começou a estagiar no departamento de sales & marketing do Four Seasons Madrid, no dia 29 de agosto, e termina em janeiro de 2023. “Já estava a fazer o mestrado em Espanha, em Marbella. Como é uma universidade internacional, não estava nos meus planos voltar a Portugal e queria ter uma experiência no exterior. Escolhi Madrid pelo hotel em si e pela companhia Four Seasons”, contou a jovem quando questionada sobre o motivo para ter escolhido estagiar neste hotel de cinco estrelas.

“O hotel onde estou a estagiar é muito recente, abriu em 2020, em plena pandemia. Tinha estado em Madrid a fazer um estágio durante um mês [no Hotel Wellington Madrid], no verão, e a verdade é que me apaixonei pelo hotel, quando o vi pela primeira vez [Four Seasons Madrid]. A unidade hoteleira tem todos os requisitos que queria para o estágio, tem um departamento comercial e é um hotel de cinco estrelas de luxo. Era a opção que cumpria todos os requisitos”, recordou, explicando que conseguiu este estágio através da Les Roches e que no futuro gostaria de continuar a trabalhar na área comercial e de vendas.
“[Em Espanha] há um ambiente de trabalho mais relaxado, não tão formal como em Portugal. Ainda há muita distância, em Portugal, entre os diretores e quem está hierarquicamente mais abaixo.”

Rita Coelho valoriza o conhecimento adquirido nesta experiência internacional, tanto na sua passagem pela Les Roches como na experiência que está a adquirir no Four Seasons Madrid. “[Valorizo] todo o processo de aprendizagem que tive na Les Roches e que comecei agora a ter neste hotel. Também valorizo o ‘networking’ que fiz enquanto estive na Les Roches, com professores, alunos e antigos alunos. No hotel também somos como uma família, toda a gente se ajuda”.
Apesar de ter começado a estagiar em Espanha há pouco mais de um mês, Rita Coelho consegue identificar algumas diferenças entre o mercado de trabalho português e o mercado espanhol. “Por norma os salários em Espanha são mais altos do que em Portugal, em todos os setores, não só na hotelaria”, além da remuneração, a jovem sublinha que em Espanha “há um ambiente de trabalho mais relaxado, não tão formal como em Portugal”, defendendo que “ainda há muita distância, em Portugal, entre os diretores e quem está hierarquicamente mais abaixo. Aqui não se sente tanto isso, toda a gente se trata por tu”.
“A hotelaria, e não só em Portugal, é um setor em que as pessoas têm de ser mais valorizadas, os salários têm de aumentar, as horas têm de diminuir, porque é um trabalho muito exigente, tanto fisicamente como psicologicamente”
Falta de mão-de-obra no turismo
“Com a pandemia os hotéis fecharam e o setor do turismo foi dos mais afetados”, explicou a jovem, realçando que “muitas pessoas do setor ficaram em layoff, ou perderam mesmo o trabalho, e tiveram de arranjar outras soluções e alternativas”.
No entanto, na perspetiva de Rita Coelho, muitas pessoas não chegaram a voltar para o setor “porque tinham um trabalho em que provavelmente faziam muitas horas, faziam horas extraordinárias, e a remuneração nem sempre equivalia às horas que essa pessoa trabalhava. Se calhar encontraram outras opções em que não têm de trabalhar aos fins-de-semana, feriados, ou sete dias seguidos.”
“A hotelaria, e não só em Portugal, é um setor em que as pessoas têm de ser mais valorizadas, os salários têm de aumentar, as horas têm de diminuir, porque é um trabalho muito exigente, tanto fisicamente como psicologicamente. Se não és recompensado por isso e vês outras alternativas, não voltas”, acrescentou.
No futuro, Rita Coelho gostaria de continuar a trabalhar em Madrid, mas confessa que “quando se entra neste setor temos de estar preparados para tudo, para ir para qualquer lugar. Se houver uma oportunidade que não posso perder noutro país, vou ter de considerar”, concluiu.
*Durante as próximas semanas, iremos partilhar experiências de jovens portugueses a trabalhar no setor do turismo no estrangeiro.
Leia a história de Mariana, a jovem de 25 anos que é Island Host nas Maldivas; de Matilde, que estagiou no resort Bulgari no Dubai; de Marisa Brandão, a jovem que é estagiária em Las Palmas, nas Canárias; de Miguel Matos, um português que é Product Manager em Berlim; de André Coelho, um jovem que é rececionista de um hotel Luxemburgo; de Pedro Gião, “commis chef” no hotel W Amesterdão; e de Daniel Martins, o jovem de 22 anos que é estagiário num hotel de 5 estrelas em Creta.


